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IX Bienal: ‘Amílcar Geração’: vida e legado de Amílcar Cabral no monólogo com Angelo Torres

“É uma pena esse assassinato coletivo e consciente, quase propositado, do legado de Cabral”, lamentou o ator são-tomense, Angelo Torres

Cultura -
Monólogo Amilcar Cabral

A vida e o legado do político independentista da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral, foi o tema apresentado na CACAU, num monólogo denominado ‘Amílcar Geração’ com interpretação do conceituado ator são-tomense, Angelo Torres no âmbito da IX Bienal de Artes e Cultura de São Tomé e Príncipe.

“Amílcar era um exemplo. A maneira como ele forma o PAIGC, a estrutura orgânica de funcionalidade que ele dá ao PAIGC, formado em 1956, e ele só começa a guerra em 1963 – nove anos a preparar a guerra estrategicamente, passo a passo. Ele inaugura uma coisa que ninguém tinha pensado antes […] o Amílcar leva a guerra colonial para o mundo”, explicou, Angelo Torres, defendendo Cabral era “o farol” das lutas independentistas e que se os dirigentes africanos o tivessem lido “teria sido um pouco melhor”.

Amílcar Cabral foi um político, agrónomo e teórico marxista que lutou pela independência da Guiné-Bissau e de Cabo-Verde.

Monólogo Amilcar Cabral

“Ele era muito importante na luta da independência dos PALOP´s, e como africanista que ele era, ele propunha, sonhava e ambicionava uma África una […] é uma pena esse assassinato coletivo e consciente, quase propositado, do legado de Cabral”, precisou Angelo Torres.

O encenador da peça e o autor do texto do monólogo ‘Amílcar Geração’, Guilherme Mendonça disse que a ideia surgiu através do próprio Ângelo Torres quando pensavam em fazer alguma encenação sobre os grandes nomes da história africana.

Monólogo Amilcar Cabral

“Primeiro começamos a fazer alguma coisa sobre Samora Machel e ambos conhecíamos a figura de Cabral e tínhamos interesse em fazer, e depois foi uma coisa apaixonada de tentar perceber qual era forma teatral melhor para fazer isto, e tínhamos aqui uma coisa muito feliz que era termos um ator que faz bem a ponte entre o tempo de hoje e passado”, explicou Mendonça.

A apresentação do monólogo coincidiu com a visita do presidente da Assembleia de Cabo Verde, Austelino Correia que chefiou uma delegação parlamentar cabo-verdiana a São Tomé.

Monólogo Amilcar Cabral

“Essa peça que ele apresentou, para um jovem, para uma adolescente, para uma criança que não conhece a história , que não viveu esse tempo passa a ver a história praticamente ao vivo”, comentou Austelino Correio, após assistir a apresentação de Angelo Torres.

O presidente da Assembleia Nacional, Delfim Neves que também assistiu a apresentação, sublinhou que “Angelo Torres é um ator muito bem posicionado e conhecido no mundo da cultura e no mundo do teatro em especial”.

 Delfim Neves disse que “importante passar algumas horas com o ator” durante ao qual o mesmo apresentou “aquilo que ele estudou, de forma muito aprofundada, do Amílcar Cabral.

“Um grande dirigente político que lutou muito pela nossa história política e para nossa autodeterminação, mas que infelizmente foi traído pelos próprios companheiros e camaradas”, sublinhou o Presidente da Assembleia Nacional.

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