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Jorge Bom Jesus diz que deixa “um país melhor” e com “sentimento genuíno de dever cumprido”

“Saio com este sentimento genuíno de dever cumprido, mas enquanto filho de São Tomé e Príncipe, enquanto político, mas também nas minhas lides ao nível cívico como cidadão, nós vamos dar toda a nossa contribuição para ver o nosso país melhor”, afirmou Bom Jesus.

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Jorge Bom Jesus

O primeiro-ministro cessante de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus disse, na quinta-feira, (10) que deixa “um país melhor” que há quatro anos, quando assumiu a liderança de Governo, sublinhando que sai do cargo com o “sentimento genuíno de dever cumprido”.

“Eu nunca poderia deixar um país igual, muita coisa mudou em São Tomé e Príncipe e, sem nenhuma pretensão, penso que deixo um país melhor. Naturalmente que as bases estão lançadas, em quatro anos não se consegue fazer tudo”, afirmou Jorge Bom Jesus, numa conferência de balanço dos quatro anos do seu Governo, que foi demitido na terça-feira pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, na sequência das eleições legislativas de 25 de setembro.

Jorge Bom Jesus, presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social-Democrata (MLSTP/PSD), chefiou o executivo apoiado por um acordo após as eleições legislativas de 2018 com a coligação PCD/UDD/MDFM, que garantiu a maioria parlamentar de 28 deputados, impossibilitando a Ação Democrática Independente (ADI), que na altura tinha vencido com 25 deputados, de formar governo com apoio parlamentar.

Na nova legislatura, que teve início na terça-feira, o MLSTP/PSD estará na oposição, com 18 deputados. Jorge Bom Jesus disse que o seu partido vai “adotar uma postura construtiva” e colocar ao serviço do país “a experiência acumulada”, à frente do Governo, que, “apesar de todos os solavancos chega ao fim da legislatura”.

É o segundo executivo – depois do de Patrice Trovoada, entre 2014 e 2018 – que completa os quatro anos de mandato, desde a introdução do multipartidarismo, no início da década de 1990.

“Saio com este sentimento genuíno de dever cumprido, mas enquanto filho de São Tomé e Príncipe, enquanto político, mas também nas minhas lides ao nível cívico como cidadão, nós vamos dar toda a nossa contribuição para ver o nosso país melhor”, afirmou Bom Jesus.

O primeiro-ministro cessante sublinhou alguns progressos feitos pelo Governo em projetos “estratégicos e estruturantes” para o futuro do país, nomeadamente dos portos e do aeroporto internacional, na capital.

 “Estas ilhas, sem um aeroporto em condições, sem um porto, pelo menos acostável, sem nós podermos proteger a nossa orla costeira, hoje com as alterações climáticas […] será muito difícil poder almejar seja que desenvolvimento for”, disse Jorge Bom Jesus.

“Neste momento, o acordo de concessão para a reabilitação e modernização do porto de Ana Chaves, acoplado com o porto do Príncipe e a construção do porto de Fernão Dias está assinado, portanto esse Governo concluiu o processo”, precisou o primeiro-ministro cessante, referindo-se às obras de reabilitação das duas primeiras infraestruturas e da construção de um porto de águas profundas em Fernão Dias, na ilha de São Tomé.

Quanto ao projeto de modernização do aeroporto Nuno Xavier e ampliação da pista, financiadas por Pequim, Jorge Bom Jesus disse que “o concurso está lançado na China” e acredita “que muito brevemente” haverá “resultados palpáveis”, assim como com o “polémico projeto de reabilitação do Hospital Central com o fundo do Kuwait”.

Jorge Bom Jesus foi eleito deputado pelo partido MLSTP/PSD, mas disse que após deixar o governo vai tirar férias por alguma semanas para estar com a família e depois avaliar se assumirá as funções no parlamento, asseguranto, no entanto, que estará no país “sempre disponível para prestar esclarecimentos, informações relativamente aos vários dossiês” que conhece.

“Penso que a estabilidade política e governativa continua a ser um imperativo para São Tomé e Príncipe, para os governos começarem e pelo menos terminarem a legislatura e o povo poder fazer a sua avaliação”, afirmou.

O líder do MLSTP não excluiu uma possível recandidatura ao cargo de primeiro-ministro.

“O futuro a Deus pertence, vou continuar a trabalhar com afinco como político, mas como cidadão e da mesma forma que entrei como presidente do MLSTP/PSD e como primeiro-ministro num espírito de missão, enquanto são-tomense e no pleno usufruto dos meus direitos, continuarei a trabalhar e se um dia o país me chamar, naturalmente gente da minha estirpe tem que estar sempre talhada para entrar na roda quando for chamado”, afirmou Jorge Bom Jesus.

Governo são-tomense pedirá 14ME a Portugal para repor reserva de divisas do país

O Governo são-tomense vai pedir 14 milhões de euros a Portugal, no âmbito de um acordo bilateral, para repor a reserva internacional líquida do arquipélago, que se encontra “baixíssima”, disse, na quinta-feira, (10) o primeiro-ministro cessante.

“Por causa dessas reservas líquidas baixíssimas, no quadro do acordo de paridade cambial com Portugal, estamos a acionar a cláusula de facilitação de crédito, [que] também é um mecanismo que nos permite fazer subir o nível das divisas”, disse Jorge Bom Jesus, numa conferência de balanço dos quatro anos do seu Governo, que foi demitido na terça-feira pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, na sequência das eleições legislativas de 25 de setembro.

O primeiro-ministro cessante afirmou que no âmbito do acordo podem ser desembolsados “entre 15 e 25 milhões de euros”, tendo o executivo solicitado 14 milhões de euros.

“As conversações começaram já com alguma antecipação”, adiantou.

Bom Jesus referiu que esta medida visa “salvaguardar também o acordo” que o país tem com o Fundo Monetário Internacional (FMI), devendo assegurar sempre “reserva mínima que são os três meses de importação”.

“Não é nenhuma novidade, não estamos à espera que seja o próximo governo a fazer isso. Cada um tem que assumir as suas responsabilidades”, comentou Jorge Bom Jesus.

“Nós, que quando entrámos em finais de 2018, também não encontrámos os três meses de importação, mas perante todas estas adversidades, obviamente que o quadro económico se degradou, por isso este Governo começou a tomar algumas medias preventivas”, disse Bom Jesus.

O chefe do executivo cessante não garantiu a conclusão do processo, referindo apenas que “o trabalho começou e vai continuar para que se possa repor” a reserva internacional líquida do país, “tendo em conta a excecionalidade e a especificidade da conjuntura” atual do país.

“Mas isso é uma coisa normal, não tem a ver com o calendário do Governo, e depois há continuidade do Estado (…). Os técnicos estão aí”, acrescentou Bom Jesus.

Durante a conferência de imprensa, Jorge Bom Jesus apontou alguns projetos lançado e concluídos durante o seu mandato, mas reconheceu que “ao nível económico, naturalmente que não é segredo para ninguém que o país conhece algumas dificuldades”, apesar do “sacrifício” dos membros do executivo.

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