Ator Minguito alerta para o desaparecimento dos grupos teatrais

Para Minguito, é necessário que o Governo e as entidades ligadas à cultura encontrem formas de apoiar os grupos que ainda existem.

Sociedade -
Rádio Somos Todos Primos

O ator são-tomense Martinho Carvalho, conhecido por Minguito, alertou, durante o programa “Voz da Juventude”, para o desaparecimento dos grupos teatrais e apelou aos jovens a envolverem-se na atividade teatral, de forma a manter viva a tradição cultural são-tomense.

Minguito, que iniciou o seu percurso no teatro em 2012, considerou que atualmente existem poucos grupos em atividade, uma realidade que associa também à saída de muitos jovens do país.

“[…] Também acho que é por falta da vontade. E falta do interesse também da população, do governo, de falta de apoio, de incentivo”, afirmou.

O ator, que provém de um ambiente ligado às artes, recordou, durante a entrevista, algumas das experiências e aprendizagens adquiridas ao longo da sua carreira.

Segundo Minguito, muitos artistas não dispõem atualmente de meios suficientes para exercer plenamente a atividade, nomeadamente no que diz respeito à gravação de conteúdos, organização e divulgação dos trabalhos.

A falta de condições, associada à saída de alguns membros, tem dificultado a continuidade de muitos grupos nacionais.

Para Minguito, é necessário que o Governo e as entidades ligadas à cultura encontrem formas de apoiar os grupos que ainda existem.

“Temos uma Casa da Cultura que não funciona. Então, acho que seria bom o Governo, junto às entidades competentes nesse ramo, tentar, nesse pouco grupo de teatro que ainda existe, tentar puxar, tentar reorganizar os grupos para tentar avançar um pouco”, defendeu.

O ator reconheceu também dificuldades na renovação dos grupos, apesar das tentativas de recrutar novos integrantes. Segundo avançou, alguns jovens chegam a demonstrar interesse, mas acabam por abandonar os grupos devido às exigências e regras próprias do trabalho coletivo.

Ainda assim, Minguito considerou que existem jovens com potencial para integrar o setor e deixa um apelo àqueles que têm vontade de desenvolver trabalhos na área.

“Se tiverem ideias, tiverem vontade, eu acho que ainda existem pessoas também com vontade de ajudar, de querer avançar no ramo de teatro e não só”, afirmou.

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