Idalécio Soares do Rosário, residente em Ponta Mina, convive há mais de 30 anos com uma grave ferida numa das pernas, que se agravou progressivamente e atualmente limita a sua mobilidade, impedindo-o de trabalhar e de realizar várias atividades do quotidiano.
O caso foi relatado pelo jornal Tela Non, através da irmã, Camila de Sousa Pires, que apontou as dificuldades enfrentadas pelo irmão para conseguir assistência médica regular, numa realidade agravada pelas limitações económicas da família.
“Desde que começou a ter o problema, a perna começou a inflamar-se. Com o passar do tempo, a situação foi piorando e, aos poucos, chegou ao estado em que se encontra atualmente. Foi assim, progressivamente, e até hoje ele continua nesta situação”, contou a irmã, citado pelo Tela Non.
Atualmente, a situação exige cuidados regulares, incluindo a realização de pensos. No entanto, a família afirma que nem sempre dispõe dos meios necessários para garantir a continuidade do tratamento.
“Ele tem esta ferida no pé, mas, com o passar do tempo, a situação foi-se agravando, porque ele não tem tido assistência médica. Como podem ver, o pé encontra-se nesta situação”, relatou a irmã.

Camila de Sousa Pires conta que, em algumas ocasiões, procurou assistência numa das unidades sanitárias do distrito de Água Grande, mas encontrou dificuldades para assegurar o acompanhamento necessário.
Entre os principais obstáculos apontados está a disponibilidade dos materiais utilizados para a realização dos pensos.
“É muito difícil. Muitas vezes não conseguimos fazer o tratamento. Eu não sei dizer se é por negligência ou por falta de condições. Isso eu não sei explicar”, afirmou.
À dificuldade de acesso aos cuidados junta-se a falta de recursos financeiros. A família diz não ter condições económicas para suportar, por meios próprios, todas as necessidades decorrentes da situação.
Dentro das suas possibilidades, a irmã procura assegurar sobretudo a alimentação e outras necessidades básicas.
“Esse pouco que eu tenho, tenho dado a ele a mão”, disse Camila Pires.
A condição física de Idalécio tem também consequências diretas na sua capacidade de trabalhar. Segundo a família, a lesão e a deficiência associada impedem-no de exercer normalmente uma atividade profissional.
“Ele nunca conseguiu trabalhar normalmente devido à deficiência. Ele não consegue fazer praticamente nada. Apenas consegue tomar banho e fazer alguma coisa ligeiramente, dentro das suas possibilidades. Mas trabalhar, não consegue”, afirmou a irmã.
Desta forma, a família acaba por assumir uma parte significativa do seu sustento, apesar das próprias dificuldades económicas.
Além das dificuldades relacionadas com o tratamento médico, a família manifesta preocupação com o acesso de Idalécio aos mecanismos de proteção social.
Camila de Sousa Pires afirma que o irmão recebia anteriormente apoio através do programa destinado às famílias vulneráveis, mas deixou de beneficiar desse apoio há cerca de dois ou três anos.
“Pelo menos até agora, não. Quando existia o apoio à família vulnerável, ele estava inscrito e recebia esse apoio. Mas agora não. Dizem que esse apoio foi cortado”, declarou.

No entanto, segundo Camila de Sousa Pires, Idalécio foi inscrito numa associação de pessoas portadoras de deficiência, numa tentativa de encontrar novas possibilidades de apoio.
Perante a situação, a família procura agora apoio para garantir o tratamento da perna, os materiais necessários para a realização dos pensos, alimentação e outras formas de acompanhamento.
“Só apoiar ele nesse pé. Fazendo o penso, ajudando ele. Alguma coisa que puderem, eu agradeceria imenso”, apelou.
O caso evidencia, segundo a realidade relatada pela família, como uma doença prolongada pode ultrapassar a dimensão clínica e tornar-se também um problema social quando está associada à pobreza, à incapacidade de trabalhar e à falta de recursos familiares.
Enquanto aguarda por uma resposta, Idalécio continua dependente da ajuda de familiares para satisfazer necessidades básicas, depois de, segundo os seus familiares, cerca de três décadas de convivência com uma lesão incapacitante.
Fonte: Tela Non