O Sindicato dos Jornalistas Santomenses (SJS) suspendeu hoje a greve nos órgãos públicos de comunicação social, iniciada quarta-feira, mas advertiu que os problemas que estiveram na origem da paralisação continuam por resolver e exigiu compromisso por parte do Governo.
Num comunicado divulgado hoje, o SJS orienta os jornalistas, técnicos e demais profissionais da Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe (RNSTP), da Televisão São-Tomense (TVS) e da Agência de Notícias STP-PRESS a retomarem as atividades a partir de hoje.
“A decisão não significa, contudo, que os problemas que estiveram na origem da greve estejam resolvidos”, sublinha o sindicato.
Segundo o SJS, a decisão foi tomada após uma análise do percurso da paralisação, das posições assumidas pelas partes nas negociações e após ouvir os profissionais que se mantiveram em greve.
O sindicato refere que a decisão não foi consensual entre os profissionais que permaneceram em paralisação, indicando que “a maioria defendeu a continuidade da greve até que fossem efetivamente cumpridos os compromissos assumidos” pelo Governo.
No entanto, o SJS considerou que, no atual contexto, a suspensão seria a melhor forma de ultrapassar o impasse e preservar a unidade dos profissionais, e sublinha que a confiança no processo negocial com o Governo ficou “profundamente abalada”, devido a “sucessivos momentos de incerteza, compromissos cuja concretização não correspondeu às expectativas dos profissionais e informações contraditórias” sobre o cumprimento das obrigações assumidas.
“A confiança não se reconstrói através de palavras, promessas ou anúncios, mas mediante atos concretos, verificáveis e capazes de demonstrar que os compromissos assumidos serão efetivamente cumpridos”, defende o SJS, acrescentando que a suspensão da greve deve ser entendida “como uma decisão de responsabilidade e não como um ato de confiança cega nas autoridades”.
Os jornalistas e técnicos dos três órgãos públicos iniciaram na quarta-feira uma greve por tempo indeterminado, reivindicando, entre outras questões, a regularização de valores provenientes da Taxa Audiovisual e melhores condições de trabalho.
Na altura, o presidente do SJS, Jorge Do Ó, explicou que a paralisação resultava de mais um incumprimento de memorandos anteriormente assinados com o Governo sobre os mesmos problemas que já tinham motivado outras paralisações.
“O grande problema é que já assinámos tantos compromissos e tantos memorandos e não temos tido resultados e isso leva a que as pessoas não acreditem nos memorandos e nos acordos que são assinados”, afirmou Jorge Do Ó no início da greve.
Para suspender a paralisação, o SJS exigia o pagamento imediato dos subsídios em atraso relativos à Taxa Audiovisual, sob pena de boicotar a cobertura da tomada de posse do Presidente da República, Carlos Vila Nova, no dia 03 de setembro, o Dia das Forças Armadas, em 06 de setembro, e o arranque da campanha para as eleições legislativas, autárquicas e regional, marcada para começar em 12 de setembro.
No entanto, nenhuma destas coberturas foram afetadas tendo a Rádio Nacional e a TVS assegurado a transmissão integral e em direto destas atividades, segundo o sindicato com recursos às chefias destes órgãos, a jornalistas estagiários e alguns trabalhadores que foram pressionados pelo Governo e pelas chefias das instituições.