Eleições: “Seremos o duque de pau”: MCI/PS-PUN felicita MLSTP “pela vitória”, mas não fecha a porta ao ADI 

O líder político apelou aos observadores internacionais e a todo o povo de São Tomé e Príncipe “para que permaneçam atentos e participativos” e acompanhem “com responsabilidade, todos os processos relacionados às eleições e às instituições que têm responsabilidade na defesa da legalidade eleitoral”.

País -
Rádio Somos Todos Primos

A coligação MCI-PS/PUN afirmou hoje que elegeu seis deputados nas legislativas de domingo, o que lhe garante o estatuto de “duque de pau” para a sustentabilidade do próximo Governo, mas mostrou-se disponível para dialogar com os dois partidos mais votados (MLSTP e ADI) e apoiar aquele que se comprometer a mudar a vida do povo.

“Fomos contactados para termos conversas. Nós não fechamos as portas a ninguém, vamos conversar, vamos ouvir, mas a nossa responsabilidade sobretudo é com o povo (…), nós defendemos o povo”, declarou o líder da coligação Movimento de Cidadãos Independentes-Partido Socialista/Partido de Unidade Nacional (MCI-PS/PUN), Domingos Monteiro.

Segundo Monteiro, apesar de a coligação ter sido impedida de participar de forma igualitária nas eleições, o partido registou um crescimento de cinco para seis deputados eleitos.

“Nós fomos excluídos (…), não tenhamos dúvida que, se deixassem-nos concorrer em pé de igualdade com todos os partidos políticos, hoje estaríamos de facto a celebrar a vitória nessas eleições”, afirmou.

“Fomos impedidos, mas, mesmo nos três distritos onde entenderam que nós, o MCI-PS/PUN, pudéssemos participar, nós fomos vitoriosos. Temos seis deputados garantidos e hoje podemos garantir aqui que seremos o duque de pau”, acrescentou.

A coligação MCI-PS/PUN foi excluída pelo Tribunal Constitucional (TC) de concorrer em cinco dos oito círculos eleitorais, por alegada falsificação de assinaturas nas listas de candidaturas, apesar do recurso apresentado.

“As palavras são poucas para exprimir a nossa gratidão. Foi uma campanha curta, devido tantas e tantas injustiças desse Tribunal Constitucional, mas demonstramos determinação, coragem e uma enorme capacidade de mobilização”, afirmou Domingos Monteiro.

O líder político apelou aos observadores internacionais e a todo o povo de São Tomé e Príncipe “para que permaneçam atentos e participativos” e acompanhem “com responsabilidade, todos os processos relacionados às eleições e às instituições que têm responsabilidade na defesa da legalidade eleitoral”.

Domingos Monteiro felicitou o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) “pela vitória nestas eleições” e desejou “que este resultado seja colocado ao serviço do povo de São Tomé e Príncipe”.

Em conferência de imprensa para divulgar os resultados preliminares, o presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Jeudiger do Nascimento, revelou que o MLSTP conquistou mais 367 votos do que a Ação Democrática Independente (ADI) nas eleições legislativas de domingo, mas recusou avançar o número de mandatos conquistados pelos partidos nos respetivos círculos eleitorais, afirmando que esta é uma competência do Tribunal Constitucional (TC).

Pouco depois, o primeiro-ministro e líder da ADI, Américo Ramos, admitiu um empate técnico entre o seu partido e o MLSTP, cada um com 24 mandatos assegurados no parlamento.

Antes, o líder do MLSTP, Américo Barros, declarara vitória, garantindo que o partido conquistou um número superior a 26 mandatos, perto da maioria absoluta e organizou mesmo hoje à tarde uma caravana pela capital para celebrar a conquista, 24 anos depois de ter sido a formação política mais votada numas legislativas.

Segundo a comissão eleitoral, dos quase 150 mil eleitores inscritos, só foram contabilizados 47.203 votos válidos, com o MLSTP a garantir 17.551 e a ADI 17.184.

Já o Movimento Basta assegurou 4.410 e a coligação MCI-PS/PUN 4.142.

A abstenção foi ligeiramente menor do que o valor recorde verificado nas presidenciais de julho (58,81%), mas ainda assim atingiu os 58,66%.

Nas legislativas, concorreram quatro partidos com assento parlamentar: Ação Democrática Independente (ADI); Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP); a coligação Movimento de Cidadão Independentes/Partido de Unidade Nacional (MCI-PUN); e o Movimento Basta.

E outros três partidos sem assento parlamentar: o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra.

Para as legislativas estavam em disputa 55 assentos da Assembleia Nacional e quase 150 mil eleitores encontravam-se inscritos, um aumento de quase quatro mil em relação às eleições presidenciais de 19 de julho, quando foi reeleito Carlos Vila Nova, à primeira volta.

Últimas

Topo