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Dirigentes do MLSTP promovem Reflexão interna face a “inoperância dos órgãos decisores do partido”

Um grupo de dirigentes e militantes do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) realiza hoje um Fórum de Reflexão para debater a situação atual do partido, a sua atuação no cenário político nacional e a necessidade de se fortalecer enquanto principal força da oposição, enquanto denunciam a inoperância dos órgãos decisores do partido.

De acordo com o documento que a RSTP teve acesso, a organização referiu que “é urgente e imperioso que o partido comece a mostrar sinais de unidade, organização e de trabalho político antecipado, de forma a nos apresentarmos como uma alternativa credível e séria ao atual poder“.

A comissão organizadora do encontro esclareceu ainda que “se trata apenas de um encontro de reflexão e de debate interno” que manifesta preocupação com a atual situação do partido, dada a “inatividade dos órgãos nacionais competentes, que não se reúnem há mais de quatro meses”.

“Tendo em conta a urgência e importância do momento, nós, abaixo-assinados, militantes preocupados com o estado atual do MLSTP e com a inoperância dos órgãos de decisão do partido, tomamos a liberdade de organizar um Fórum de Reflexão sobre o estado atual do MLSTP”, referiu.

O documento acrescentou que o partido não tem conseguido afirmar-se no cenário político nacional enquanto líder da oposição, o que tem gerado “muitas críticas” dos que “esperam e desesperam por um MLSTP forte, reestruturado, galvanizador e portador da chama da esperança para o povo”.

“[Pretende-se] sugerir caminhos alternativos para o partido se afirmar”, lê-se.

O ex-candidato à presidente do MLSTP, António Quintas, que é dos organizadores deste fórum deixou fortes críticas ao atual presidente do MLSTP, Américo Barros e a sua direção, apelando aos “camaradas” através de uma publicação no Facebook para que “abram os olhos e salvem o MLSTP, enquanto é tempo”.

“Camaradas, por favor, abram os olhos e salvem o MLSTP, enquanto é tempo”, lê-se no título da publicação, seguida de vários questionamentos.

“Acham que tudo que falam do Estado MLSTP atual e as críticas que fazem ao Presidente do Partido é encomenda de alguém? Todos os textos de opinião e comentários negativos, até nas publicações das paginas do MLSTP e da JMLSTP são encomendas de alguém? Vocês estão cegos, mudos e surdos? Não andam na rua? Não falam com as pessoas? Com os vossos vizinhos, amigos, familiares, militantes anónimos? O que todos dizem? Esse MLSTP, com esse Presidente, não dá. Vai ter o pior resultado de sempre. Isso é mentira?”, lê-se.

Outras perguntas se seguiram, nomeadamente: “Vocês não têm ouvido notícias de vários militantes nossos que andam a saltar para o MCI e BASTA? Isso também é encomenda de alguém? O facto do presidente Américo Barros não largar o tacho no Banco Central e assumir a luta política no Parlamento ou nunca estar disponível para as entrevistas e conferências de imprensa? Também é encomenda de alguém? “, lê-se.

Na publicação, acusa-se Américo Barros de “não reunir os Órgãos do Partido, como a Comissão Política e o Conselho Nacional, para se discutir o Partido e encontrar soluções”, e aponta-se o dedo a Direção que consideram “estar moribunda, desunida, cada um a safar a sua parte, sem gás, sem força, sem conseguir inspirar e galvanizar mesmo os militantes que apoiaram essa lista”.

“O facto do Partido não se modernizar, comunicar mal, de forma amadora e improvisada, com fotos desfocadas e textos com erros e sem nexo, é encomenda de alguém ou pura incompetência? Continuem com esse discurso e com essa desculpa e não aceitem a realidade, para ver onde o MLSTP vai parar. Deixem de se preocupar com os outros camaradas, com as promessas de tachos e com a bajulação e pensem no MLSTP”, alertou.

“14 meses depois, toda gente sabe que com essa Direção e com esse Presidente, não vamos a lado nenhum. Deixem de estar sempre a fabricar inimigos internos e encontrar as justificações do fracasso fora. O MLSTP está a morrer a vista de todos e seremos todos responsáveis se não fizermos nada”, lê-se na publicação de “militantes do MLSTP lúcidos e muito preocupados”.

O Fórum será realizado hoje, na casa CACAU.

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