Familiares de uma menor de oito anos que morreu após ser atropelada por uma motorizada, na sexta-feira, na Praça de Espanha, em Lisboa, pedem justiça e apoio das instituições para a celeridade na resolução do caso que consideram estar a cair no esquecimento, sem responsabilização.
Irina residia em Portugal há pouco menos de nove meses, ao abrigo de uma junta médica, e lutava contra um cancro há quase dois anos. Em declarações à RSTP, a tia da menor, que a trouxe em abril para os tratamentos, lamentou o ocorrido, afirmando que, apesar dos desafios do tratamento, a família mantinha a esperança.
“Eu dormia no hospital sentada no cadeirão com a minha sobrinha. Ela vomitava e eu tirava o chapéu da cabeça para parar o vómito. Insistia com ela para tomar a medicação e ficar melhor. Não é ele que vem tirar a vida da minha sobrinha. Ele tirou-me o gosto que eu tinha pela minha sobrinha”, lamentou a tia da Irina, em lágrimas.
De acordo com a mãe da menor, Maria Camblé, o ocorrido deu-se na tarde de sexta-feira, enquanto iam às compras.
A mãe referiu que, enquanto atravessavam a passadeira, o condutor de uma mota ultrapassou os carros, apesar do sinal estar verde para os peões, e acabou por atropelar a menor, que tinha colocado “uma das pernas no passeio, quase no fim da travessia”.
Maria explicou ainda que o condutor não prestou socorro de imediato e só regressou ao local depois de percorrer uma certa distância e se aperceber da movimentação das pessoas que assistiram ao acidente. A menor não resistiu aos ferimentos e acabou por falecer na madrugada de sábado, 6, no hospital de Santa Maria.
“Eu disse à minha filha para irmos fazer as compras e saímos. Fomos, e ao atravessarmos, todos os carros estavam parados, então podíamos atravessar, e quase no final, quando ela colocou uma das pernas no passeio, a mota passou e bateu na outra perna, e no momento ela caiu. Ele não parou. Eu tentei segurá-la, mas não tinha forças e ela voltou a cair. Pedi a Deus forças, voltei a segurá-la e pedi socorro, e apareceram pessoas”, relatou.
A mãe referiu ainda que a distância a que o condutor parou após atropelar a filha era de cerca de 15 metros, local onde deixou a mota. Nesse instante, uma das pessoas que presenciou o acidente conseguiu fotografar a chapa de matrícula do veículo.
“Chamaram a polícia. A polícia e os bombeiros chegaram e eu teria de ir ao hospital. Disse que o homem deveria ir comigo, mas os agentes disseram que não, que iriam tratar do assunto. Um dos agentes foi ao hospital e recolheu os meus dados e os da minha filha. Disseram que iriam ligar, mas até agora não ligaram”, explicou.
A Embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal, que afirmou “estar a acompanhar o caso desde o início”, lamentou o sucedido e acrescentou que “o corpo foi remetido ao Instituto de Medicina Legal do Tribunal de Lisboa, onde serão realizados os exames periciais determinados por lei”.
“A Embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal confirma, com profundo pesar, o falecimento de uma menor nacional que se encontrava no país ao abrigo de junta médica. Na noite de 7 de dezembro, a Embaixada foi informada do atropelamento da menor na zona da Praça de Espanha, em Lisboa. A criança recebeu assistência imediata no local, sendo depois encaminhada para o Hospital de São Francisco Xavier e, posteriormente, transferida para o Hospital de Santa Maria, onde veio a falecer”, lê-se na nota.
A Embaixada referiu ainda que “o condutor da motorizada está devidamente identificado e o processo encontra-se sob investigação na 13.ª Secção do DIAP de Lisboa”.
A família aguarda a resolução do caso com celeridade.
“Nós queremos justiça. Ela era doente, sim, mas poderia ter morrido da doença e não por atropelamento”, lamentou a tia.
A família continua à espera, com um olhar atento e esperançoso, pela justiça pela vida de Irina, que, apesar dos desafios, caminhava confiante em dias melhores.
