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Killa Z junta-se à veterana Xinha e lança música sobre a defesa da cultura são-tomense

Killa Z

O músico são-tomense Killa Z lançou no domingo um novo trabalho musical intitulado “Inén Mína ku Inén Mósu”, um tema que chama a atenção para a valorização da cultura nacional e dos seus fazedores, contando com a participação especial da veterana Xinha numa colaboração que une gerações e reforça o debate sobre a preservação da identidade cultural em São Tomé e Príncipe

Segundo Killa Z, em declarações à RSTP, a mensagem central do tema é clara.

A mensagem principal é de facto a que está bem patente na música, ou seja, a valorização da cultura e dos seus fazedores”, afirmou o artista.

A escolha da Xinha para esta parceria não foi casual. O cantor assumiu ser admirador da velha guarda da música nacional e destacou o simbolismo do convite.

Eu sou um incondicional fã dos fazedores da música são-tomense da velha guarda. Sempre desejei, enquanto músico, fazer este tipo de parceria, e desta vez propus à Xinha e a mesma aceitou”, explicou.

Para Killa Z, a presença da veterana conferiu identidade e emoção ao tema.

Por ser uma diva da cultura musical são-tomense, a cantora Xinha revestiu a música com todo o sentimento e com aquela voz firme, num timbre único que lhe é único”, sublinhou.

A música nasce também de uma leitura crítica da realidade social do país. O artista lamenta a situação de muitos músicos que contribuíram para a cultura nacional.

Nós temos vários músicos que já fizeram muito pela cultura nacional e que continuaram sempre em situação de dependência, para não dizer carência. Outros partiram deste mundo de forma pobre”, afirmou, acrescentando que “há problemas sociopolíticos que precisam ser resolvidos, pois o papel do Estado, bem como dos empresários em relação ao produto cultural, é quase inexistente”.

Musicalmente, “Inén Mína ku Inén Mósu” aposta no Sócopé como base.

É o nosso Sócopé. Este é o estilo musical que escolhemos”, explicou Killa Z, referindo ainda que introduziu rimas do género BULADURO, criação sua, “em jeito de STLEVA/RAP”.

O artista defende que a promoção cultural deve ser contínua.

É necessário continuarmos a promover a nossa cultura, não achar que a mesma é um parente pobre do Estado e continuarmos sempre a defender a sua valorização”, frisou.

Quanto à receção do público, Killa Z garante que tem sido positiva.

O público tem reagido bem, principalmente nas redes sociais. Estão familiarizados com a causa e concordam com a mensagem”, disse.

Do lado da Xinha, a cantora revelou que o convite gerou alguma hesitação inicial.

Para ser sincera, quando recebi o convite do Killa Z hesitei um pouco. O que me motivou a aceitar foi a sua persistência”, confessou.

Como uma das vozes de São Tomé e Príncipe, para mim é uma mais-valia estar ao lado do cantor, e tratando-se do Killa Z, é um jovem com uma visão de tudo o que acontece no país”, afirmou.

Sobre a mensagem da música, Xinha destaca o seu valor identitário.

A música pretende transmitir a importância de valorizar e preservar a identidade cultural são-tomense, mostrando que a tradição musical é uma herança viva que deve ser respeitada e continuada”, sublinhou, acrescentando que espera despertar “o orgulho nas raízes, o sentido de pertença e a motivação para manter viva a cultura nacional através da música”.

No final, Killa Z deixou um apelo direto aos jovens artistas e aos decisores políticos.

Aos jovens artistas, faço um apelo para que procurem conhecer mais a nossa cultura e apropriarem-se da mesma, garantindo assim que as suas obras tenham sustentabilidade identitária”, afirmou.

Já em relação à classe política, foi crítico: “Recomendo que não coloquem pessoas que não entendam da promoção cultural em cargos superiores de decisão tutelar. Isto é um homicídio cultural”.

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