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Ex-PM Gabriel Costa lidera missão de observação eleitoral da CEEAC na República Centro Africana

Gabriel Costa

O antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Gabriel Costa, encontra-se na República Centro-Africana chefiando a Missão de Observação Eleitoral da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), para acompanhar as eleições presidenciais, legislativas, autárquicas e regionais que decorrem hoje naquele Estado-membro.

No quadro da missão, Gabriel Costa manteve encontros de trabalho com a Ministra dos Negócios Estrangeiros da República Centro-Africana, bem como com o Presidente da Autoridade Nacional Eleitoral.

Cerca de 2,3 milhões de eleitores centro-africanos, incluindo 749 mil novos inscritos, votam este domingo em eleições gerais que decorrem num clima de forte tensão política e com a oposição a pedir boicote.

Na corrida presidencial estão sete candidatos, incluindo o actual Presidente, Faustin-Archange Touadéra, que concorre a um terceiro mandato após a revisão da Constituição ter acabado com o limite de mandatos em 2023.

Faustin-Archange Touadéra foi eleito em 2016 e reeleito em 2020, em eleições perturbadas por grupos rebeldes armados e manchadas por acusações de fraude. Quando anunciou a recandidatura, organizações da sociedade civil e a oposição acusaram-no de querer eternizar-se no poder.

Segundo a RFI, entre os principais opositores no escrutínio de hoje estão os ex-primeiros-ministros Henri-Marie Dondra, e Anicet Georges Dologuélé, que tiveram as candidaturas em risco devido a questões de nacionalidade porque a polémica reforma constitucional não permite a candidatura de pessoas com dupla ou múltipla nacionalidade.

Também na corrida presidencial estão o ex-ministro da Juventude, Aristide Briand Reboas, assim como Eddy Symphorien Kparékouti, Djorie Serge Ghislain e Yalemendé Marcelin.

As candidaturas de outros três políticos, Saint-Cyr Tanza, Parfait Zanga e Jean Michel Mandaba, tinham sido rejeitadas. O opositor político Dominique Désire Erenon, líder do partido Marcha pela Democracia e Salvação do Povo, foi detido ao chegar do exílio, sem se conhecerem as razões nem as acusações formais.

Em Outubro, uma aliança da oposição, o Bloco Republicano para a Defesa da Constituição, anunciou que ia boicotar as eleições. Uma organização da sociedade civil lançou uma plataforma online, “Surveille ton vote”, para publicar as actas saídas das mesas de voto após a contagem.

Desde 2012, a República Centro-Africana é afectada pela violência, após uma coligação de grupos rebeldes – os Séléka – terem tomado a capital, Bangui, e derrubado o ex-Presidente François Bozizé, que governou dez anos, o que marcou o início de uma guerra civil. Em 2020, os grupos rebeldes que ocupavam mais de dois terços do território reuniram-se para lançar uma ofensiva sobre Bangui.

A situação de segurança melhorou com o apoio da força das Nações Unidas, a Minusca, dos contingentes ruandeses e da controversa intervenção dos paramilitares do grupo russo Wagner. No entanto, a situação continua instável nas estradas e nas regiões do leste do país, na fronteira com o Sudão e com o Sudão do Sul.

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