Os restos mortais do professor, escritor, ensaísta e diplomata são-tomense Francisco Costa Alegre foram enterrados, na quinta-feira, no cemitério do Alto São João, em clima de bastante emoção entre dezenas de familiares, amigos e amantes da cultura, que apelaram para a preservação do seu legado de mais de 30 anos de dedicação à literatura e cultura nacional.
“Meu pai, Francisco Costa Alegre, partiu e com ele não se vai apenas um corpo cansado pelo tempo, vai uma biblioteca viva, vai um guardião da memória, vai um homem que fez da palavra uma casa da cultura uma missão“, expressou Celso Costa Alegre, filho do malogrado.
“Foi sim um homem da cultura, como o mesmo se autointitulava, escritor, investigador e ensaísta. Alguém que acreditava que pensar era um dever, escrever é uma forma de servir. Nas suas páginas, o meu pai procurou compreender quem somos, de onde viemos, para onde podemos ir e, principalmente qual é o nosso enquadramento enquanto povo são-tomense, enquanto ser humano“, acrescentou.
Francisco Costa Alegre foi um dos membros fundadores da União Nacional de Escritores e Artistas São-tomenses (UNEAS). O seu presidente, Albertino Bragança, destacou a profundidade criativa e o legado duradouro de Francisco Costa Alegre, apelando à continuidade do trabalho em prol da literatura nacional.
“Com Francisco Costa Alegre, entramos em contacto com o mundo profundo da criação literária, domínio em que a fertilidade da sua imaginação não se detinha perante absurdos ou intricados obstáculos a nós, que dele nunca nos esqueceremos“, afirmou.
“Cabe-nos demonstrar persistência na luta pela materialização dos objetivos da organização que juntos criamos, pelo que amargurados com a sua perda, devemos todos pugnar, porque os sacrifícios que ele fez em vida a favor da literatura são-tomense, não se consumam após a sua morte“, completou.
A Direção Geral da Cultura também se juntou às homenagens neste último Adeus à Francisco Costa Alegre, enaltecendo o seu legado no fortalecimento da literatura nacional e na formação de várias gerações.
“Hoje despedimos de alguém, cuja a presença iluminou as nossas vidas e cujo legado continuará a nos inspirar. Sua memória demorará como um exemplo de paixão, dedicação e amor pela arte, pela cultura e pela educação“, sublinhou o diretor geral da cultura, Emir Boa Morte.
Durante a homenagem fúnebre, foram ainda recordados alguns dos poemas deixados por Francisco Costa Alegre.
Francisco Costa Alegre, faleceu no dia 31 de Dezembro de 2025, aos 72 anos. Durante dedicou mais de 30 anos à escrita, investigação, serviço público e diplomacia, tendo lançado mais de 15 livros, entre as quais poesia, contos, romances e ensaios.
