A população de São João da Vargem invadiu uma igreja evangélica local e destruiu parte dos seus bens, após acusações de que o pastor estaria envolvido em práticas consideradas “diabólicas”, segundo os moradores que alegam que “as ações do líder religioso estariam a provocar danos emocionais a uma menor de 13 anos”.
“Um tal pastor, que tem aquela igreja, fez uma oração na cabeça da menina e, de repente, ela ficou maluca: está a apanhar coisas do chão e a comer. O pai está revoltado. Os familiares foram ter com o pastor, em Neves, para resolver a situação da menina, mas o pastor escondeu-se. Fomos à Polícia Judiciária e as autoridades já têm conhecimento”, disse um dos primos da menor.
Em declarações à imprensa, um dos pastores agredidos apresentou a sua versão dos factos, explicando que tudo começou no dia 31 de dezembro, durante uma celebração familiar.
“A família do pastor residente em Neves foi passar a festa com ele, e a menina, que é sobrinha dele, manifestou um problema durante a oração, dentro da igreja. Depois da oração a menina caiu endemoninhada”, relatou.
O pastor acrescentou que, durante a madrugada, foi contactado para prestar apoio espiritual à menor.
“Eu e outro pastor estávamos a dormir quando recebemos uma chamada para irmos à casa do pai da menina para orar. Fomos com a família, orámos, mas o problema persistiu. Com o consentimento do pai, a menina foi levada à igreja, onde orámos desde as 6 até às 11 horas, e ela acalmou”, afirmou.
De acordo com o líder religioso, posteriormente a menor foi levada para Neves, onde continuaram as orações com outros obreiros.
“Por volta das 16 horas, a menina pediu água e comida, comeu, dormiu e passou a noite aparentemente bem. No dia seguinte, o pai ligou-me a dizer que o problema tinha voltado”, explicou.
O pastor afirmou ainda que a situação saiu do controlo quando a menor foi levada para outra instituição religiosa.
“Quando chegámos, colocaram a menina no carro e levaram-na para a igreja católica. Logo depois disso, a população voltou-se contra mim, agrediu-me com pontapés e socos, rasgaram a minha camisola. Até agora não sei como a menina está”, contou.
“Mesmo com tudo isso, entrámos num acordo com o pai da menina, e o pastor que é tio dela também concordou em resolver a situação de forma pacífica”, acrescentou.
As autoridades policiais que estiveram no local, abriram um inquérito para apurar as circunstâncias do caso, tanto no que diz respeito às agressões e destruição de bens, como às denúncias envolvendo a menor.
Fonte: TVS
