O primeiro-ministro declarou hoje que a Nova Marginal visa reduzir a circulação de transportes para dar prioridades a ciclovias e passeios, e instou a empresa executora da obra e demais instituições envolvidas a darem explicações sobre as reclamações e dúvidas levantadas pela população.
“Como vocês sabem, esta obra foi concedida há algum tempo e o objetivo era diminuir a circulação de transportes e aumentar a ciclovia, dando prioridade à ciclovia e aos passeios. Daí que a diminuição da estrada advém do facto de, na conceção, se ter pretendido diminuir a circulação de transportes na marginal e dar prioridade às ciclovias e aos passeios”, acrescentou.
O Chefe do Governo falava no final da visita às obras da Nova Marginal, que decorrem sobre diversas reclamações da população.
“O objetivo é constatar ‘in loco’ algumas preocupações em relação ao andamento desta obra, que já se encontra numa fase bastante avançada. Como sabem, nestes últimos doze meses, a obra acelerou-se bastante. O nível de execução está elevado e, prevendo o término da obra já no final do ano, seria bom fazer uma revisão e também perceber algumas reclamações que têm vindo da população”, disse Américo Ramos.
Américo Ramos disse que, dado o avanço da obra, não será possível realizar grandes alterações e que deve haver, primeiramente, uma decisão prévia do Governo, enquanto “dono da obra” em conversação com os financiadores.
“Eu acredito que há sensibilidade da empresa para dar explicações técnicas e fazer aquilo que for possível. Aliás, de acordo com as explicações dadas, há muitas coisas que não estavam previstas neste projeto. Portanto, são correções que a empresa foi fazendo, adaptando, e o que estamos a pedir é que isto seja operacional”, sublinhou.
Segundo o primeiro-ministro o Governo ainda não decidiu sobre como aproveitar a a infra-estrutura que estava a ser construída a frente da Capela Bom Jesus, que inicialmente seria um estaleiro para os pescadores, mas garantiu que a decisão será adotada em concertação com os financiadores.
Américo Ramos sublinhou ainda que o Governo irá tratar de conceder uma indemnização aos pescadores da praia São Pedro, uma decisão que considerou de grande urgência.
O chefe do Governo pediu que sejam explicadas tecnicamente os motivos por detrás da redução do troço da faixa de rodagem, às rotundas e outras situações que têm sido questionados e criticados por uma boa parte da população.
“Grandes alterações não podem ser feitas. [Serão realizadas] apenas a adequação e compatibilização de algumas situações que observámos”, disse.
O responsável da equipa de fiscalização, Francisco Romão, ressaltou também que a obra “está a cumprir todos os parâmetros” e, em certas situações, “está um bocadinho acima do que era necessário”.
A primeira pedra para a requalificação e proteção costeira da marginal 12 de julho, em São Tomé, foi lançada em 12 de março de 2024, pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada (2022-2025), mas as obras só começaram meses depois envolvendo apenas dois lotes, que vão da zona perto do Hospital até ao cruzamento de São Marçal, perto da Assembleia Nacional.
O projeto da marginal foi concebido em 2017, com um custo inicial estimado de 25 milhões de euros, garantidos através do cofinanciamento por parte do Governo holandês (50%) e 50% em crédito do Banco Europeu de Investimento (BEI), mas o custo elevou-se para cerca de 38 milhões de euros, cujo valor adicional o Governo está a negociar com o Banco Mundial para o lote, que começa perto do aeroporto, passando pela Praia Emília.
