O renomado cantor Chico Paraíso, lançou o seu novo álbum intitulado “Tan kudadu ki lunge”, patrocinado pelo Governo Regional do Príncipe e composto por 12 faixas musicais, todas elas interpretadas em “lunguié”, língua tradicional da Ilha do Príncipe, marcando um dos momentos altos das celebrações dos 555 anos da chamada “Descoberta” da ilha.
A nova obra discográfica afirma-se como um importante contributo para a preservação e valorização do património cultural e linguístico da Ilha do Príncipe. As canções refletem o quotidiano, a memória coletiva e as vivências da comunidade, aliando sonoridades tradicionais a influências contemporâneas, numa clara afirmação da identidade cultural da ilha.
“Todas as faixas estão em lunguié, é uma maneira de preservar a nossa identidade. Ainda não temos um lugar fixo para colocarmos o disco, vamos pensar e depois vamos divulgar”, afirmou Ginga Umbelina, uma das filhas do artista.
“O percurso [do meu pai] foi difícil. No caminho da vida temos sempre obstáculos e hoje ele concretizando este sonho é muito importante para ele e para todos os familiares”, acrescentou.
O álbum discográfico do cantor Chico Paraíso, contou com a participação dos artistas e produtores Chico Roque, Moreno Produções, Dico Mendes e Killa-Z, contando com o apoio institucional do Governo Regional do Príncipe, no quadro da valorização da cultura e da promoção dos artistas nacionais.
“Hoje é um momento da realização do sonho do Chico Paraíso, um cantor que tem vindo já há algum tempo a transmitir aqui as suas ideias, a contribuir bastante para a nossa identidade cultural. […] isso marca um ponto também na carreira do Chico Paraíso”, precisou o secretario regional da cultura, Carlos Pinheiro.
No mesmo contexto comemorativo, foi apresentado o livro “Media, Arte e Tecnologia nas Novas Culturas de Língua Portuguesa”, da autoria de José Manuel Simões. A obra propõe uma reflexão crítica sobre o papel dos media, da arte e da tecnologia na construção das identidades culturais no espaço lusófono, abordando os desafios e as transformações trazidas pela era digital.
“É um livro que une as comunidades e povos da língua portuguesa, que tenta ser uma ponte entre todos eles com um ponto comum: o amor a língua portuguesa. Língua de união entre todos nós”, disse o autor da obra, acrescentando que “o livro é extremamente inovador”.
“E tem um aspeto em termos tecnológicos que é o facto de cada artigo ter um QR Code e com uma simples fotografia nos remete para um vídeo, onde o autor resume o artigo. Cada artigo é escrito por um académico de renome, muitos deles com renomes internacionais, então as nove culturas estão representadas neste livro”, adiantou.
Com estes lançamentos, as comemorações dos 555 anos da Ilha do Príncipe ficaram marcadas por uma forte afirmação cultural, evidenciando o talento artístico local e o contributo da ilha para o enriquecimento do património cultural do espaço lusófono.
Segundo a história, a Ilha de Príncipe foi descoberta por navegadores portugueses, João de Santarém e Pedro Escobar, a 17 de janeiro de 1471. Sendo inicialmente nomeada “Ilha de Santo Antão”, foi mais tarde renomeada como “Ilha do Príncipe“ em homenagem ao herdeiro da Coroa Portuguesa, o Príncipe D. Afonso, recebendo seu nome definitivo em 1502 e sendo integrada ao arquipélago de São Tomé e Príncipe.
