O Chefe de Estado Maior das Forças Armadas (CEMFA) Virgílio Sousa Pontes, hoje empossado, prometeu formar consensos e unir os militares de São Tomé e Príncipe, cuja imagem considerou estar “em baixo”, merecendo a declaração de confiança do primeiro-ministro que disse acreditar que o novo brigadeiro “fará bem o seu trabalho”.
“Prometo aos meus colaboradores militares que vou colher consenso e união de todos os militares. Conto com todos para (…) levantarmos a bandeira das Forças Armadas que está um bocado em baixo”, declarou Virgílio Sousa Pontes, que prestou juramento em ato solene, diante do Presidente da República, Carlos Vila Nova.
Antes de assumir as funções como CEMFA, Virgílio Sousa Pontes, que era Coronel Graduado, foi promovido e recebeu as patentes de Brigadeiro, o último escalão das Forças Armadas de São Tomé e Príncipe (FASTP).
“Prometo ser um brigadeiro de mangas arregaçadas, pronto para trabalhar […] nós militares é que temos que fazer tudo para erguer as nossas Forças Armadas, [o que] só com a nossa união e trabalho” será possível, disse Sousa Pontes.
O novo CEMFA descartou qualquer intervenção para o esclarecimento do caso 25 de novembro de 2022, em que quatro civis foram torturados e mortos, quando estavam sob custódia de militares, após uma invasão ao quartel considera pelo tribunal civil como tentativa de Golpe de Estado.
O agora brigadeiro sublinhou que “é uma questão que está entregue ao Tribunal Militar”, assim como afirmou terem sido remetidas “às instituições competentes” as investigações sobre o desaparecimento do processo, em novembro passado, quando estava nas instalações do Estado Maior.
Virgílio Sousa Pontes ocupava o cargo de CEMFA interino, desde outubro, acumulando com as funções de comandante do Exército, desde a exoneração do ex-CEMFA João Pedro Cravid, após o desaparecimento do processo do caso 25 de novembro nas instalações do Estado-Maior das Forças Armadas.
O CEMFA, que esperou quase um mês para ser empossado, tem sido alvo de críticas, incluindo nas FASTP, segundo fontes militares, pelo facto de ser um coronel graduado e ainda não ter completado os cinco anos necessários para ser promovido ao posto de coronel, condição legal para ser CEMFA.
“Acho que a minha nomeação não é por votos, é por escolha de Sua Excelência o Presidente da República. Quem o senhor [Presidente] escolher deve ser um homem de confiança. A meu ver, sou um homem trabalhador, um homem de mangas arregaçadas, portanto não deveria haver dúvida nenhuma”, afirmou Virgílio Sousa Pontes à imprensa, após a cerimónia de cumprimentos de Ano Novo ao Presidente da República, no dia 08 de janeiro.
Na semana passada, o primeiro-ministro, Américo Ramos, também alimentou dúvidas sobre a tomada de posse de Virgílio Sousa Pontes, ao afirmar que ainda estava a analisar o processo.
“Há detalhes técnicos que é preciso discutir num fórum próprio e o Governo tem trabalhado no sentido de discutir tecnicamente, ver os prós e os contras, analisar profundamente e decidir qual é a melhor opção a tomar”, disse Américo Ramos, quando questionado pela imprensa, à margem de uma visita ao Hospital Dr. Ayres de Menezes, em São Tomé.
Hoje, Américo Ramos não mostrou dúvidas quanto à escolha e nomeação do novo CEMFA.
“Fechamos esse processo que levou algum tempo, mas gostaria de aproveitar para felicitar o novo Chefe de Estado-Maior. É alguém que no meio das Forças é conhecido pela sua disponibilidade e competência. Eu espero que o senhor, que tenho grande crença, fará bem o seu trabalho”, declarou Américo Ramos, que assistiu à tomada de posse.
As FASTP estão sem vice-CEMFA há mais de dois anos e, há cerca de um mês, ficaram sem o comandante da Guarda Costeira e o Inspetor-Geral das Forças Armadas, exonerados dos cargos, em 20 de dezembro, por serem arguidos no processo de 25 de novembro de 2022, mas os seus substitutos serão indicados pelo novo CEMFA hoje empossado.
