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Trabalhadores indignados com acusações do PM sobre desmando, desvios e sabotagem na EMAE

Emae

Os trabalhadores da Empresa de Água e Eletricidade (EMAE) de São Tomé e Príncipe mostraram-se indignados com as declarações do primeiro-ministro denunciando “problemas graves” de excesso de trabalhadores, desvio de combustível, desmando e sabotagem na empresa.

Em comunicado que a RSTP teve acesso, os funcionários sublinham que “os gestores da EMAE são nomeados pelo Governo” e “compete ao Governo avaliar previamente as capacidades técnicas, profissionais e éticas dos gestores que nomeia”.

Enfatizaram ainda que, embora seja uma empresa pública, “a EMAE deve pautar-se por princípios de gestão empresarial e técnica, e não por critérios de natureza política, como tem sucedido reiteradamente”.

“Caso se verifique a existência de excesso de trabalhadores na EMAE, tal situação decorre precisamente das sucessivas gestões politizadas, caracterizada pelo recrutamento de pessoal com base em critérios partidários ou de militância, sem termos de referências claros, nem recurso a concursos públicos, conforme as boas práticas de gestão pública”, lê-se no comunicado.

Os trabalhadores consideram que “as acusações públicas e generalizadas de desvio de combustível são extremamente graves e lesivas da honra e do bom nome dos trabalhadores da EMAE”.

“Havendo indícios de práticas ilícitas, o procedimento correto é o acionamento das autoridades competentes, assegurando uma investigação rigorosa e a responsabilização individual e não a imputação coletiva de culpas”, defenderam os trabalhadores.

Acrescentam que os trabalhadores da EMAE se esforçam 24 horas por dia “para garantir o fornecimento contínuo de água e energia à população, muitas vezes em condições precárias e adversas” e afirmaram que “acusá-los publicamente, de forma generalizada, de sabotagem, é injusto, ofensivo e profundamente desmotivador, além de ter potenciado agressões aos técnicos da EMAE no terreno”.

Segundo os trabalhadores, “um dos principais constrangimentos estruturais da EMAE reside na falta de autonomia de gestão, agravada por sucessivas nomeações políticas para cargos de topo, em detrimento de concursos públicos transparentes, conforme reiteradamente recomendado por parceiros de desenvolvimento”.

“Tendo conhecimento de situações de desmando numa empresa tão estratégica para o país, caberia ao Senhor Primeiro-Ministro adotar medidas concretas e eficazes para pôr termo a tais práticas, em vez de recorrer a declarações públicas generalizadas”, lê-se.

“Os técnicos e profissionais da EMAE não são responsáveis pelas más opções acumuladas ao longo dos anos. Somos também vítimas desta crise, mantendo-nos, ainda assim, firmemente empenhados em servir o país com responsabilidade e profissionalismo. A crise energética que o país atravessa exige responsabilidade política, diálogo sério e soluções concretas e não declarações que fragilizam a confiança institucional, desvalorizam o desempenho dos trabalhadores e inflamam a sociedade contra aqueles que asseguram serviços essenciais à população”, acrescentam.

Na semana passada, quando reagia a uma ameaça de greve do Sindicato dos Trabalhadores da EMAE, devido à crise energética que dura há mais de cinco meses no país, o primeiro-ministro, Américo Ramos, desafiou o sindicato a colaborar com o executivo para acabar com o desvio de combustível, excesso de trabalhadores, sabotagem e desmando na empresa.

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