Rádio Somos Todos Primos

Diretor do Ensino Superior defende valorização e adequação salarial aos quadros com mestrado e doutoramento

O diretor do Ensino Superior e Ciências, Ilvécio Ramos, defendeu maior valorização e adequação salarial de quadros com os níveis de mestrados e doutoramentos, nas instituições públicas e privadas do país, sublinhando que “todos os que se formam e regressam com mais competências devem ser valorizados”.

“O estímulo tem de ser financeiro. Não é aceitável que uma pessoa estude, regresse com maior capacitação e mantenha o mesmo salário. Todos os que se formam e regressam com mais competências devem ser valorizados, mas essa valorização não se verifica a nível nacional”, disse Ilvécio Ramos.

Numa Entrevista recente à RSTP, em novembro do ano passado, Ivélcio Ramos, apelou a uma maior valorização profissional e à adequação salarial dos quadros formados, e alertou que a falta de políticas de enquadramento e de incentivos salariais no país, tem contribuído para a desmotivação de quem ingressa em cursos de mestrado e doutoramento.

Ramos afirmou que, apesar da oferta anual de cursos de mestrado, há pouca procura, face a falta de estímulos salariais compatíveis com o nível académico.

Por que será que as pessoas não querem fazer o mestrado e o doutoramento? Será que é porque os mestres e doutores não são valorizados?[…]Até que ponto o país está ou se tem preparado para receber mais mestrados e mais doutores?“, questionou.

O diretor do Ensino Superior, alertou para a falta de docentes com estes níveis superiores nas universidade em São Tomé e Príncipe.

O quadro legal que regula o ensino superior prevê que, para cada 100 alunos na universidade, devem existir dois professores doutorados. Se analisarmos as nossas universidades, verificamos que não cumprimos esses requisitos. Ainda temos professores apenas com licenciatura”, afirmou Ilvécio Ramos.

Ramos acrescentou ainda que “há uma crescente desvalorização, pois, o nível académico, quer no setor público quer no privado, não se traduz em diferenças salariais significativas”.

“As pessoas sentem-se motivadas quando ganham mais. A ideia que se deve prevalecer é, toda gente que vai estudar mais, ao regressar tem que ser mais valorizada”, disse.

Ilvécio Ramos apelou à juventude para continuar a investir na formação académica e reconheceu que existem desigualdades sectoriais que deverão ser tratadas por políticas públicas mais coerentes.

Ivélcio alertou ainda para o impacto da ausência de políticas de enquadramento na taxa de desemprego qualificado no país. A problemática da desvalorização dos docentes foi um dos pontos que levaram os docentes e não docentes da Universidade de São Tomé e Príncipe a efetuarem um pré-aviso de greve.

“Nós elencamos cinco pontos no que toca ao reajuste em que nós não fomos tido nem achados, no estatuto remuneratório e também o estatuto da carreira não docente[…] A universidade já tem mais de dez anos e o documento reitor da universidade que é o estatuto de carreira docente nunca foi aprovado, e continuar nesta meia ilegalidade”, disse Dossavi Freitas, representante da Comissão de Greve dos Docentes e Não Docentes.

O representante sublinhou ainda que há professores com mestrado e doutoramento que recebem como um professor licenciado.

“Isto não pode ser. Não é compatível com nenhuma universidade. Nós temos que primar pela excelência. Nós temos é que pagar em função da categoria”, referiu.

De acordo com as declarações da Comissão à RSTP, a greve maracada para esta segunda-feira, 26, foi cancelada, e que estão a ser feitas as diligências junto ao Governo para a reslução deste conflito.

Exit mobile version