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Domingos Simões Pereira libertado após mais de dois meses detido na Guiné-Bissau

Domingos Simões

O líder da oposição guineense, Domingos Simões Pereira, presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi libertado da prisão na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, após ter estado detido 66 dias pelas forças militares que tomaram o poder no país em novembro de 2025.

Simões Pereira foi detido no dia do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, quando o Alto Comando Militar assumiu o controle do país, derrubou o presidente Umaro Sissoco Embaló e suspendeu o processo eleitoral que estava em curso.

A sua libertação aconteceu no final da tarde de sexta-feira, quando foi acompanhado por forças de segurança até à sua residência em Bissau, onde se encontra agora sob vigilância domiciliária, de acordo com informações avançadas pela Lusa.

O antigo primeiro-ministro e principal figura da oposição saiu da Segunda Esquadra da Polícia Nacional com uma barba totalmente branca, visivelmente mudado após mais de dois meses em detenção sem acusação formal, e foi recebido com aplausos e emoção por familiares e apoiantes.

De acordo com a agência Lusa, “a polícia e os militares não estão a permitir o acesso de pessoas à rua que vai dar à residência privada de Simões Pereira”.

A libertação foi possível depois de intensas negociações diplomáticas conduzidas com o apoio do governo do Senegal, através do ministro da Defesa Birame Diop enviado especial do presidente senegalês, e com o apoio da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Simões Pereira e o histórico partido PAIGC foram afastados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta.

Nos dois meses no poder, os militares alteraram a Constituição da Guiné-Bissau, atribuindo mais poderes ao Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para 06 de dezembro.

Na sexta-feira, um grupo de dirigentes e militantes do PAIGC defendeu que o líder, Simões Pereira, não pode dirigir o partido em prisão domiciliária, e pediu uma direção de transição até ao congresso que deverá ocorrer em novembro para escolher novo líder.

Fonte: Lusa / RTP / Correio Kianda

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