O Presidente da República, Carlos Vila Nova afirmou que o massacre de Batepá, ocorrido em 1953, constitui a principal referência para a construção do espírito de são-tomensidade, mas admitiu que tem sido cada vez mais difícil assinalar esta data quando reflete sobre os inúmeros sofrimentos e torturas a que foram submetidos os mártires da liberdade.
Carlos Vila Nova falava durante a cerimónia de homenagem aos mártires da liberdade, realizada na terça-feira, 3 de fevereiro, que assinalou o 73.º aniversário do acontecimento.
Segundo Carlos Vila Nova, os acontecimentos de Batepá representaram um marco fundamental na história do país, por terem despertado o espírito de revolta anticolonial e impulsionado a organização de movimentos que viriam a lutar contra o regime colonial.
“Os acontecimentos de Batepá de 1953 são, de facto, aquela referência para criar aquele espírito de são-tomensidade. Este foi um marco que fez unir e prevalecer aquele espírito de revolta anticolonial e de organização de todas as outras organizações que surgiram para lutar contra o espírito colonial”, declarou o chefe de Estado.
O Presidente da República sublinhou ainda a importância de honrar os mártires da liberdade, destacando que o sacrifício das vítimas contribuiu para o despertar do sentimento de liberdade que hoje permite ao país viver em democracia.
Carlos Vila Nova assegurou igualmente que o Estado tem procurado acompanhar os sobreviventes do massacre que ainda se encontram vivos, reconhecendo, contudo, as limitações existentes.
“As autoridades têm feito o que podem, não é muito, não resolve tudo, e eu pessoalmente também tenho feito o que posso para acompanhar ao longo do ano”, afirmou, acrescentando que os sobreviventes manifestam gratidão pelo apoio e pela solidariedade demonstrada.
Por seu lado, o primeiro-ministro, Américo Ramos, recordou que o Ministério do Trabalho e Solidariedade dispõe de uma instituição vocacionada para apoiar esses sobreviventes, garantindo que, na medida do possível, serão mobilizados recursos para esse efeito.
O chefe do Governo destacou ainda a importância de preservar a união entre os são-tomenses, com especial enfoque na juventude, na luta contínua pela liberdade e pelo desenvolvimento do país.
As comemorações do 73.º aniversário do massacre de Batepá foram marcadas por vários momentos simbólicos, entre os quais uma marcha pela liberdade que contou com a participação de milhares de jovens.
Somam 73 anos entre 3 de fevereiro de 1953 a 3 de fevereiro de 2026, a data em que o país homenageou aos mártires da liberdade, escravos que foram açoitados, assassinados e torturados, num contexto que ficou conhecido como massacre de Batepá.
