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Editora Dope–Letras quer internacionalizar literatura são-tomense

A editora Dope–Letras, iniciativa liderada pelo jovem escritor, Paulo das Neves, pretende internacionalizar a literatura são-tomense, apostando na promoção de autores nacionais, no incentivo à leitura e na divulgação da produção literária de São Tomé e Príncipe no espaço lusófono e além-fronteiras.

A intenção foi manifestada durante uma entrevista ao programa “Voz da Juventude” da RSTP, onde o jovem escritor assegurou que está a desenvolver um projeto editorial voltado para o fortalecimento do mercado literário nacional e para a valorização da produção intelectual de São Tomé e Príncipe.

O responsável considera que a criação da editora representa a concretização de um sonho pessoal e coletivo, sobretudo para os jovens escritores do país.

Ao nível pessoal é uma dose de motivação para os jovens do meu bairro […] registar a Dope–letras é realizar um sonho meu e do meu irmão Tiago Quaresma, mas também de muitos jovens escritores são-tomenses”, afirmou.

Segundo o escritor, a Dope–Letras nasce com a missão de incentivar a escrita juvenil e oferecer orientação para novos talentos literários.

A proposta da editora procura associar a literatura à transformação social, defendendo o conhecimento como alternativa a práticas consideradas negativas entre os jovens.

Queríamos que a literatura tivesse um estilo tão bom que pudesse substituir o uso de coisas ilícitas. A Dope–letras vem de um bairro e representa essa junção entre ‘Dop’ e letras, mesmo sendo conceitos em contramão, porque estamos a falar de algo ilícito e da literatura como arte intelectual”, explicou.

O CEO da editora acredita que o projeto poderá contribuir para a mudança de mentalidade em São Tomé e Príncipe, promovendo o pensamento crítico e o desenvolvimento social através da leitura.

Segundo Paulo das Neves, a Dope–Letras pretende atuar em três segmentos principais: escritores, leitores e agentes comerciais.

Para os autores, a editora prevê serviços de consultoria literária, orientação profissional e apoio à expansão internacional das obras.

Quem quer seguir carreira literária precisa de orientação. Vamos oferecer consultoria para novos talentos e ajudar jovens que desejam alcançar outros mercados fora de São Tomé e Príncipe”, destacou.

O modelo editorial inclui contratos autorais e editoriais, além de serviços de edição, tradução e preparação de textos para publicação. Um dos principais desafios apontados pelo jovem escritor é a criação e fortalecimento do hábito de leitura.

O maior desafio da Dope–letras é criar leitores. É um trabalho de raiz, porque precisamos ensinar os são-tomenses a gostarem de ler antes de pensar apenas no tipo de livro que vamos publicar”, referiu.

Paulo das Neves acrescentou que o projeto pretende formar cidadãos com capacidade de pensamento crítico e autonomia intelectual.

Estamos a formar indivíduos com consciência crítica, capazes de entender quando estão a ser enganados e de fazer o próprio raciocínio”, salientou.

A editora pretende expandir as suas atividades para todo o território nacional, incluindo projetos comunitários de incentivo à leitura, com especial atenção às crianças.

Além de autores nacionais, a Dope–Letras demonstra abertura para escritores da diáspora são-tomense e de outros países de língua portuguesa, reforçando a circulação da literatura no espaço cultural lusófono.

Com uma proposta voltada para a formação literária e social, o projeto editorial posiciona-se como uma aposta no desenvolvimento do mercado literário são-tomense e na valorização da produção intelectual jovem.

Paulo das Neves afirmou que o processo de registo oficial da editora ainda não foi concluído. A editora, que surgiu no formato digital, pretende avançar com a formalização nos próximos anos, como parte da estratégia de consolidação do projeto editorial e da sua atuação no mercado literário são-tomense e lusófono.

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