O Governo são-tomense e o PCD manifestaram solidariedade para com o “povo irmão cubano”, com o executivo a assegurar que “acompanha com atenção e preocupação a evolução da situação” naquele país face ao embargo imposto pelos Estados Unidos.
Num comunicado divulgado nas redes sociais, na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe, sem se referir aos Estados Unidos, sublinhou a importância de que “quaisquer diferendos entre Estados sejam resolvidos exclusivamente por via do diálogo, do respeito pelo Direito Internacional e do recurso aos mecanismos multilaterais adequados”.
“São Tomé e Príncipe reafirma, por isso, o seu apoio a todas as iniciativas que favoreçam soluções construtivas e pacíficas e que contribuam para mitigar os impactos socioeconómicos sobre as populações, salvaguardando o seu direito ao desenvolvimento e ao bem-estar, em conformidade com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e na Carta da União Africana”, lê-se no comunicado.
O Governo são-tomense sublinha que mantém, ao longo de décadas, “uma relação de amizade, cooperação e solidariedade” com a República de Cuba, “assente no respeito mútuo e na partilha de experiências nos domínios da saúde, da educação e da formação de quadros”.
“Os laços que unem os nossos povos têm sido marcados por uma colaboração concreta e por um espírito de proximidade que tem contribuído para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe e para o fortalecimento das relações bilaterais”, lê-se no comunicado.
Também o presidente do Partido de Convergência Democrática (PCD), João Bonfim, conferência de imprensa realizada na terça-feira, manifestou a solidariedade do seu partido para com a República de Cuba.
“Não podemos esquecer também que o nosso país beneficiou da ajuda” cubana, afirmou.
Segundo o líder do PCD, São Tomé e Príncipe deve, “dentro das suas possibilidades”, retribuir essa solidariedade, expressando apoio ao povo cubano.
“A única coisa que nos compete e que é o nosso dever como país em fazer a nossa parte, é de prestar e afirmar a nossa total solidariedade à República de Cuba”, vincou.
Cuba enfrenta uma crise energética crescente, que se agravou e lastrou a todos os setores nas últimas semanas, com o corte dos abastecimentos de petróleo da Venezuela, o seu principal fornecedor, após a intervenção dos Estados Unidos neste país.
A ilha enfrenta cortes de energia e uma severa escassez de combustível, tudo agravado com o embargo petrolífero imposto pelos EUA, que levou outro fornecedor importante, o México, também a suspender os seus fornecimentos.
Transportadoras aéreas cancelaram voos para a ilha, devido à escassez de combustível para aviões que lá se verifica.
No início deste mês, dois navios mexicanos chegaram a Cuba com ajuda humanitária, duas semanas depois do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado com a imposição de tarifas aos países que vendessem petróleo a Cuba.
Aqueles navios descarregaram 800 toneladas de bens e outras 1.500 toneladas de leite em pó e grãos.
Uma vez que Cuba produz apenas 40% das suas necessidades energéticas, é muito vulnerável a bloqueios. Apesar de aliados importantes, como a Federação Russa e a China, terem criticado as sanções de Trump, até agora o seu apoio tem sido simbólico.
