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Estudantes em Marrocos consideram “injusto” o anúncio do Governo sobre pagamento de dois meses de bolsa

Os estudantes são-tomenses em Marrocos consideraram “injusto” anuncio do Governo que prometeu pagar dois meses de bolsa aos alunos no estrangeiro, tendo em conta que estão há quase oito meses sem receber e continuamente em situações de dificuldades e vulnerabilidade.

“Não é justo porque faltam duas bolsas, não dois meses”, afirmou à RSTP.

“Estamos há quase sete a oito meses sem receber o pagamento das bolsas e agora vêm dizer que vão pagar dois meses. Isso não é justo”, declarou outro estudante.

Segundo os estudantes ouvidos pela RSTP, e que pediram anonimato por receio de penalizações, o problema não se limita a dois meses de atraso, mas a bolsas trimestrais previstas em acordo assinado antes da partida para Marrocos.

De acordo com os estudantes, o documento estabelece o pagamento de 300 dólares por trimestre, num total de três prestações por ano letivo.

Uma estudante da promoção 2023/2024, disse que no primeiro ano os pagamentos foram efetuados na totalidade, mas a situação alterou-se posteriormente.

“No ano letivo 2024/2025 recebemos apenas duas bolsas, quando devíamos ter recebido três. No ano 2025/2026 ainda não recebemos nenhuma”, disse.

Alunos da promoção 2024/2025 afirmam ter recebido apenas uma prestação desde que estão em Marrocos, havendo, segundo relatam, casos de estudantes que ainda não beneficiaram de qualquer pagamento da bolsa são-tomense.

Além dos atrasos, os estudantes queixam-se de diferenças nos montantes transferidos. Embora o valor acordado seja de 300 dólares por trimestre, dizem ter recebido quantias entre 220 e 270 dólares, sem esclarecimento sobre a taxa de câmbio aplicada ou eventuais deduções.

Os alunos recebem ainda um apoio das autoridades marroquinas, no valor aproximado de 125 euros de dois em dois meses, que consideram insuficiente para cobrir despesas de alojamento, alimentação, transporte e materiais escolares.

O custo do alojamento varia, segundo os estudantes, entre 60 e 100 euros mensais, o que, aliado aos atrasos nas transferências, tem provocado dificuldades financeiras e preocupação quanto à continuidade dos estudos.

A situação financeira tem, segundo os relatos, aumentado a exposição a riscos, sobretudo entre as estudantes. Uma das alunas contou que, recentemente, uma colega foi abordada por um homem mais velho que se ofereceu para lhe dar dinheiro caso estivesse em dificuldades, numa situação interpretada como assédio.

“Estamos numa posição frágil. Se não tivermos princípios e apoio familiar, podemos ser levadas a aceitar propostas indevidas por necessidade”, afirmou.

Os estudantes apelam ao Governo são-tomense para que regularize os pagamentos em atraso e esclareça os critérios de conversão cambial, defendendo que o pagamento anunciado de dois meses não resolve a situação acumulada.

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