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Eleições’26: Advogado Miques João anuncia candidatura a Presidência da República

O advogado Miques João anunciou publicamente a intenção de se candidatar à Presidência da República, para lutar contra a corrupção, perseguição, ódio e cedência da Justiça “ao capricho da política e da delinquência”.

Durante a apresentação da candidatura, numa cerimónia realizada, o sábado, na Biblioteca Nacional, com algumas dezenas de apoiantes, Miques João, que se afirma antissistema, lançou duras criticas contra aqueles que acusa de terem invertido os ideais e valores da independência nacional.

“Formaram uma elite à semelhança do regime colonial e apoderaram-se de todas as riquezas do país, deixando ao povo a miséria, o sofrimento, a pobreza extrema, o desemprego, o divisionismo, a incerteza, o desprezo, a humilhação, a mentira, a ditadura, intrigas, desordem, corrupção e outros males”, disse.

O advogado, que é o primeiro pré-candidato anunciado, apontou ainda que os mesmos “destruíram o país por completo, inverteram os valores morais da vida social, destruíram os lares, destruíram os sonhos, reduziram a esperança de vida, instalaram o clima de ódio, separatismo, perseguição, vingança, medo e incerteza”.

“Diante destes factos e não encontrando solução no seu país, nos últimos dez anos, assistimos à fuga desenfreada, desesperada dos cidadãos são-tomenses para a Europa à procura de melhores condições de vida. E, muitas vezes, à procura apenas de comida e saúde”, declarou.

Para o jurista, após 50 anos de independência, “ao invés dos dirigentes criarem condições para o bem-estar económico dos cidadãos, o desenvolvimento e o progresso do país transformaram São Tomé e Príncipe numa autêntica selva onde reina a lei do mais forte e o lema salve-se quem puder”.

“A corrupção tomou conta do país. A perseguição e o ódio agora é a palavra de ordem do dia […] a justiça, que deveria ser ditada em nome do povo pelos magistrados independentes e imparciais, cedeu ao capricho da política e da delinquência ao ponto de juízes e procuradores orquestrarem cabalas políticas, usando e abusando dos poderes do Estado para assaltar a residência privada, apoderar de evidências de provas e destruir”, disse.

Miques João Bonfim foi um dos 19 candidatos às eleições presidenciais de 2021, ganhas na segunda volta pelo atual chefe de Estado são-tomense Carlos Vila Nova.

O advogado tornou-se mais conhecido, sobretudo, como uma das principais vozes de protesto e denúncia para o esclarecimento dos acontecimentos de 25 de novembro de 2022, em que quatro civis foram torturados e mortos por militares na sequência de um assalto ao quartel, que o Tribunal considerou de tentativa de Golpe de Estado.

Após várias denúncias públicas, muitas sem provas, contra políticos e elementos do judiciário, o advogado teve a inscrição suspensa pela Ordem dos Advogados, após várias participações que recaíram sobre ele.

Poucos meses depois, foi detido e preso preventivamente por vários meses sob acusação de abuso sexual de menor, e após o excesso do prazo de prisão passou a aguardar a conclusão do processo em liberdade.

São Tomé e Príncipe terá eleições presidências em 19 de julho e legislativas, regional e autárquicas em 27 de setembro.

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