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Jovens são-tomenses criam clube na cidade do Porto com ambição de chegar ao futebol federado

Atlético Club STP

Um grupo de jovens são-tomenses residentes em Portugal criou, na cidade do Porto, uma equipa de futebol 7 denominada “Atlético Club STP”, um projeto desportivo que pretende promover o talento da diáspora, criar oportunidades para jogadores residentes em Portugal e representar o país além-fronteiras.

Fundado oficialmente a 10 de setembro de 2025, o clube nasceu de encontros informais entre amigos que jogavam futebol aos fins de semana. A iniciativa evoluiu rapidamente para uma estrutura organizada, com inscrição em competições oficiais e definição de objetivos a curto e médio prazo.

Muitos chegam cá e não têm possibilidade de jogar e ser federado. Começámos por diversão, mas percebemos que podíamos fazer algo maior e levar o nome do nosso país mais longe”, explicou Edmilson Soares, guarda-redes e um dos fundadores do clube.

Atualmente, o Atlético Club STP compete na Divisão de Honra da Associação Portuguesa de Minifutebol, no formato de futebol 7, onde tem vindo a demonstrar crescimento competitivo, ocupando neste momento a segunda posição na competição. A equipa iniciou a nova época com uma vitória e soma já um percurso positivo na fase de grupos, mantendo-se na luta pelos primeiros lugares.

O clube foi fundado por Edmilson Cassandra Soares, Valdek Lima e Ediuldo Santos, que continuam diretamente envolvidos na gestão e desenvolvimento. A estrutura inclui ainda responsáveis como Jerciley Pontes, Danilson Afonso e Fábio Lima.

O plantel é composto por 30 jogadores, dos quais 23 são naturais de São Tomé e Príncipe, contando também com atletas angolanos. Entre os destaques estão o capitão Edmilson Soares, o avançado Fábio Neto, o defesa Amílcar e o médio Fábio de Jong, além do angolano Elias Almeida.

Dentro de campo, a equipa aposta no trabalho coletivo, na disciplina e na comunicação. Fora dele, enfrenta desafios significativos, sobretudo ao nível financeiro. Sem patrocinadores oficiais, o funcionamento do clube depende exclusivamente das contribuições dos jogadores e dirigentes.

O treinador Ediuldo Santos, que assumiu o cargo após uma lesão enquanto jogador, é apontado como peça-chave no crescimento do grupo. O técnico revela que a equipa optou por começar no futebol 7 para ganhar experiência competitiva.

No primeiro campeonato não fomos além da fase de grupos, mas aprendemos. Agora estamos mais preparados e acreditamos que podemos lutar pelo título”, afirmou.

A ambição, no entanto, vai além do minifutebol. O clube está a trabalhar para dar o salto para o futebol 11 e integrar as competições da Associação de Futebol do Porto. Entre os passos necessários estão a legalização do clube, a garantia de seguros para os jogadores e a obtenção de um campo adequado para treinos e jogos.

Apesar das dificuldades, já surgem sinais positivos, com contactos para parcerias, incluindo uma possível colaboração com uma marca de equipamentos desportivos “Rosa Bilanza”.

Eles também já nos fizeram alguma proposta, estamos a trabalhar no âmbito disso. E para o próximo, vamos ver se conseguimos algum financiamento”, disse.

O maior desafio agora é, eu acho que sem falar da competição, é o financiamento, que a equipa ainda não tem. Mas, com tudo isso, nós vamos trabalhar e vermos se conseguimos ultrapassar isso. Nada é complicado que seja que não se ultrapasse”, acrescentou.

Dentro do grupo, o ambiente é descrito como unido e disciplinado. O capitão Fábio das Neves destaca a importância da coesão.

Somos uma equipa muito unida. A disciplina e o apoio entre todos têm sido fundamentais para o nosso crescimento”, referiu.

Mais do que resultados imediatos, o Atlético Club STP assume-se como um projeto com impacto social e comunitário. O objetivo passa por inspirar jovens, promover valores educativos e, a longo prazo, contribuir para o desenvolvimento do futebol são-tomense.

Ainda em início de percurso, o clube dá sinais de organização, identidade e visão estratégica, procurando crescer de forma sustentada no futebol português e afirmar-se como símbolo da comunidade são-tomense no estrangeiro.

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