O primeiro-ministro, Américo Ramos, reafirmou hoje que é candidato a presidente da Ação Democrática Independente (ADI) liderada pelo ex-primeiro Patrice Trovoada e apelou os militantes para exigirem a realização do congresso eletivo que não aconteceu a 04 de abril.
“Já manifestei publicamente ser candidato à presidência do partido por isso acho que deve haver essa exigência por parte dos militantes para a realização do congresso”, sublinhou Américo Ramos em declarações à RSTP, à margem da cerimónia de lançamento de três estratégias governamentais para a promoção da Saúde no arquipélago.
Em novembro do ano passado o Conselho Nacional da ADI agendou o congresso eletivo para 04 de abril, mas não aconteceu porque a direção do partido pretendia adiar a data durante um conselho nacional que o Tribunal Constitucional declarou inexistente na base de uma providência cautelar apresentada por um grupo de militantes liderado por Américo Ramos.
“Eu sou um militante da ADI, quer dizer que as questões do ADI devem ser resolvidas no âmbito do estatuto do ADI e toda a ação pode ser levada a cabo por mim ou qualquer militante no sentido de mais urgente possível consigamos ultrapassar o imbróglio/problema existente nesse partido”, defendeu hoje Américo Ramos.
Num comunicado divulgado a 01 de abril, a direção da ADI, informou “que o mandato da atual Direção e do seu Presidente se encontra plenamente válido, em estrito cumprimento dos Estatutos do Partido”.
“O último Congresso do ADI foi realizado em 17 de fevereiro de 2024, tendo definido um mandato com a duração de quatro anos. Assim, é inequívoco que o atual ciclo diretivo se estende até 2028, não existindo qualquer fundamento jurídico, estatutário ou político que sustente interpretações contrárias”, lê-se no comunicado publicado no Facebook.
A direção da ADI sublinhou que “não existe qualquer disputa de legitimidade no seio do partido” e que o partido “é uno, coeso e institucionalmente estável”.
“Há um só Partido, uma só Direção e um só Presidente, legitimados pelos seus órgãos e pela vontade soberana dos seus militantes expressa em Congresso”, lê-se.
A RSTP contactou a direção da ADI para obter esclarecimento sobre a previsão de realização do congresso, mas não teve respostas até ao momento.
A ADI vive momento de divisão interna desde janeiro de 2025, quando o Presidente da República, Carlos Vila Nova demitiu o Governo liderado pelo presidente da ADI, Patrice Trovoada, e escolheu Américo Ramos, contra a indicação do partido.
A crise partidária, estendeu-se ao parlamento e culminou com o afastamento de cerca de sete deputados do partido que passaram à independentes.
Américo Ramos é até ao momento o único candidato anunciado para a liderança da ADI no próximo congresso que também deverá definir a figura a ser apoiado pelo partido nas eleições presidenciais de julho.
