Assinalado a 1 de maio, o Dia do Trabalhador recorda as lutas históricas por melhores condições laborais e, em São Tomé e Príncipe, a data ganha um significado ainda mais profundo, refletido no quotidiano de homens e mulheres que, apesar dos desafios, se mantêm firmes na garantia dos meios de subsistência e no desenvolvimento do país.
No contexto histórico, o Dia do Trabalhador é comemorado a 1 de maio, pois, nessa data, em 1866, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago, com a finalidade de reivindicar a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias, tendo contado com a participação de milhares de pessoas.
O trabalho é visto, desde sempre, como um exercício que proporciona bem-estar, através de esforços que elevam a vida de quem trabalha, bem como daqueles que o rodeiam.
Em São Tomé e Príncipe, os dias de trabalho começam nas primeiras horas da manhã, como é o caso de Alda Andrade, residente em Santo Amaro, que já às quatro da manhã já está desperta para trabalhar.
“Já tenho vinte e tal anos a vender”, explicou.
“Há momentos em que as coisas correm bem. Você chega e vende, há momentos em que fica com muita quebra. […] A vida aqui é um pouco difícil, mas devemos enfrentar”, disse a vendedora Alda.
Alda vende diariamente hortaliças e legumes no exterior do mercado de Bôbô-Forro, local onde fica exposta à enchentes causadas em fortes dias de chuva.
“É difícil, tenho que encostar [num canto] para quando chuva diminuir para eu continuar a vender”, disse.
Embora seja um trabalho exigente, Alda reconhece a importância da sua atividade, vendo no comércio uma forma de sustentar os filhos. Seguindo pela capital, encontramos a cabeleireira Matilde e o barbeiro Deny, apaixonados pela arte de cuidar da imagem.
“Esta é uma profissão que eu gosto de exercer. Faço isto porque gosto e esta profissão é valorizada, sim. Porque, se não houver cabeleireiras, não haverá quem trance o cabelo. Nós também dependemos de clientes. Se não houver clientes, não trançamos o cabelo nem pintamos as unhas”, disse a cabeleireira Matilde, sublinhando que a profissão contribui para o bem-estar das mulheres, no reforço do cuidado pessoal.
“Para mim é uma boa área. […] Confesso que não sei fazer mais nada. Eu só sei ser barbeiro, desde que era miúdo. Deus já me deu este talento”, sublinhou Deny Siló.
O desejo de servir muitas vezes sobrepõe-se aos problemas existenciais. Os professores são fundamentais na construção social, embora considerem que essa valorização esteja a perder-se.
“A vida dos professores é um bocado cansativa, porque as condições de trabalho não são das melhores. Temos muitas dificuldades em termos de materiais escolares, tanto para nós, professores, como para os alunos. […] A falta de materiais implica muitas vezes os resultados finais dos alunos”, sublinhou a professora e secretária-geral do Sindicato dos Professores de São Tomé e Príncipe (SINPRESTP), Vera Lombá.
A pesar dos contributos, para a professora, a classe tem vindo a sofrer uma desvalorização ao longo do tempo, incluindo por parte da própria sociedade.
“O Governo e o Estado já respeitaram mais os professores. Mas, ultimamente, os professores estão a ser desvalorizados. Nós, como sindicato, temos lutado muito pela valorização dos professores”, disse.
Em declarações à RSTP, os trabalhadores apontaram desafios semelhantes: a falta de bens essenciais, como energia e água, bem como de infraestruturas que suportem as tarefas diárias.
Contudo, apesar destes desafios, muitos trabalhadores mantêm-se firmes, conscientes de que o seu trabalho é fundamental para o desenvolvimento do país, como é o caso do taxista Ventura Afonso, que enaltece a profissão apesar da rotina exaustiva.
“Agora estou a ganhar mais dinheiro e estou bem. Com o que ganho, consigo resolver alguns problemas. […] Estou satisfeito, bem satisfeito, graças a Deus. […] O país tem condições, é tão bonito, tão maravilhoso. O que os nossos governantes têm de fazer é apoiar e ajudar. É isso que é necessário”, sublinhou o taxista Ventura Afonso.
Diversas profissões contribuem para a construção da vida dos são-tomenses, que desde cedo aprendem a cultura do trabalho como meio de fazer desenvolver o país. Apesar dos desafios, muitos persistem com resiliência e firmeza.
