O Governo são-tomense manifestou “profunda consternação e imenso pesar” pelo falecimento da jornalista e poetisa Conceição Lima, destacando o seu “mérito intelectual e poesia de dimensão universal” que deu voz à memória coletiva.
Numa nota de pesar publicada nas redes sociais, na sexta-feira, o executivo são-tomense refere-se a Conceição Deus Lima como “uma das mais distintas vozes do jornalismo, da literatura, da cultura e do pensamento nacional”.
“Mulher de reconhecido mérito intelectual, poetisa de dimensão universal e cidadã profundamente comprometida com os valores da justiça, da liberdade e da dignidade humana, Conceição de Deus Lima honrou o nome de São Tomé e Príncipe além fronteiras, através da força da sua palavra, da sensibilidade da sua escrita e da firmeza das suas convicções”, lê-se no documento.
O executivo são-tomense refere que, através da poesia, Conceição Lima “deu voz à memória coletiva, às dores, esperanças e sonhos do povo santomense, afirmando-se como referência incontornável da lusofonia e da cultura africana contemporânea”.
“A sua obra literária permanecerá como património inestimável da identidade cultural santomense e legado eterno para as presentes e futuras gerações. Pela exemplaridade do seu percurso e pelas suas qualidades humanas, Conceição de Deus Lima deixa-nos a memória de uma mulher integra, profundamente leal aos valores do nosso país, e animada por um raro sentido de causa nacional”, lê-se na nota.
A jornalista e poetisa são-tomense Conceição Deus Lima morreu na sexta-feira, 15 de maio, em São Tomé, aos 64 anos, disseram à RSTP fontes familiares.
Segundo os familiares, a poetisa são-tomense, nascida em 08 de dezembro de 1961, sentiu-se mal logo pela manhã e foi encaminhada ao hospital Central Dr. Ayres de Menezes, onde acabou por falecer por volta das 07:00 locais (06:00 em Lisboa).
Conceição Lima é o nome mais traduzido da literatura são-tomense, com livros e poemas em alemão, árabe, espanhol, checo, francês, galego, italiano, inglês, shona, servo-croata e turco.
A poetisa foi membro-fundadora da União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses (UNEAS) e, em 2021, foi nomeada coordenadora nacional, para São Tomé e Príncipe, do Movimento Poético Mundial.
Durante a celebração do dia da mulher são-tomense, em 19 de setembro do ano passado, Conceição de Deus Lima foi distinguida pelo Governo são-tomense como embaixadora da Cultura de São Tomé e Príncipe em reconhecimento pelo seu papel na valorização e promoção da identidade cultural do país no plano internacional.
Maria da Conceição Costa de Deus Lima nasceu no sul da ilha de São Tomé, em Santana, onde cresceu e fez os estudos primários e secundários, e estudou jornalismo em Portugal.
Em São Tomé e Príncipe trabalhou e exerceu cargos de direção na Rádio, Televisão e na imprensa escrita e depois da abertura multipartidária no arquipélago, fundou, em 1993, o já extinto semanário independente O País Hoje, de que foi diretora.
Era licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres e mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África, pela School of Oriental and African Studies (SOAS), de Londres, onde residiu e trabalhou como jornalista e produtora dos serviços de Língua Portuguesa da BBC.
Tem poemas dispersos em jornais, revistas e antologias de vários países.
“O Útero da Casa” (2004) foi o primeiro de vários livros, o último dos quais, “Quando os cães deixaram de falar e outras fábulas universais”, foi lançado em 2025.
