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ADI apresenta queixa-crime contra o PM Américo Ramos, ministros e deputados dissidentes

A Ação Democrática Independente (ADI) apresentou uma queixa-crime contra o primeiro-ministro Américo Ramos, membros do Governo e deputados, acusando-os de realizar reuniões com nome e símbolo do partido sem autorização da direção liderada por Patrice Trovoada.

“Temos notado, com surpresa e, sobretudo, preocupação, como de forma insistente e abusiva um grupo de pessoas, composto, entre outras, pelo atual primeiro-ministro, têm utilizado o nome do ADI e os símbolos do nosso partido nas redes sociais e na convocação de reuniões supostamente com militantes e responsáveis do ADI, chegando mesmo a utilizar estas imagens em apoio à campanha do candidato Carlos Vila Nova”, declarou a vice-presidente da ADI, Celmira Sacramento, em conferência de imprensa.

Segundo Celmira Sacramento, além do primeiro-ministro, Américo Ramos, que é candidato à presidência da ADI e reclama a realização urgente do congresso eletivo, a queixa-crime, apresentada na quarta-feira 27, visa também os ministros Nelson Cardoso e Nilton Garrido, os deputados dissidentes da ADI Orlando da Mata e Vasth Santos, bem como o atual diretor da Empresa de Água e Eletricidade Posik Santos.

A vice-presidente da ADI realçou que “esses elementos foram alvo, por parte da maioria dos membros do Conselho Nacional” da ADI, “de uma petição reclamando a sua expulsão das fileiras do partido”, estando esse pedido sob análise da direção.

“Denunciamos, com toda a nossa energia, essas manobras que fazem parte de um plano orquestrado pelos atuais detentores do poder político, nomeadamente pela equipa do Governo da iniciativa presidencial, com vista a induzir os cidadãos eleitores em erro, criar confusão no seio da militância do ADI e perturbar as eleições que se avizinham”, sublinhou Celmira Sacramento.

Sob liderança de Américo Ramos o grupo tem realizado reuniões em vários distritos e na ilha do Príncipe, exigindo maior democratização na ADI, assim como a realização do congresso eletivo deliberado em Conselho Nacional de novembro do ano passado e previsto para abril, mas que foi cancelado pelo Tribunal Constitucional, após os mesmos denunciarem alegadas irregularidades através de uma providência cautelar.

O partido referiu que, até ao momento, não foi notificado pelo Tribunal Constitucional sobre o conteúdo da ação principal da referida providência cautelar, quando a lei determina que tal procedimento deveria acontecer num prazo máximo de 30 dias.

A direção da ADI refere que os participantes da reunião são “maioritariamente sem filiação no ADI” e “pagos com 200 dobras para reclamar um Congresso e mais democracia”.

“Estamos perante um assalto vergonhoso e indigno de pessoas que pretendem a direção do maior partido nacional sem se submeterem à decisão dos militantes”, denunciou Celmira Sacramento.

Para a ADI, nos últimos 18 meses em que o atual executivo está em funções, registaram-se os “maiores atropelos em matéria de respeito pela lei, a começar pela Constituição, pelo regular funcionamento das instituições democráticas e pelos mais pequenos princípios éticos e morais que devem sustentar a vida em sociedade, num silêncio assustador do resto da classe política nacional”.

“O ADI e a sua direção legítima, eleita em Congresso e no pleno exercício do seu mandato, lançam um apelo à militância para se manter firme e derrotar este plano maquiavélico que consiste em destruir o ADI e fazer eleger um presidente apoiado pela oposição a quem foi prometida a entrega do futuro Governo”, disse Celmira Sacramento.

Após a demissão do Governo de Patrice Trovoada em janeiro de 2025, o Presidente da República, Carlos Vila Nova, rejeitou vários nomes propostos pela ADI e escolheu para primeiro-ministro o ex-secretário-geral do partido Américo Ramos, contra a indicação da direção da ADI, levando o partido a demarcar-se do Governo e a romper posteriormente com os seus elementos que o integraram.

São Tomé e Príncipe terá eleições presidenciais em 19 de julho e legislativas, autárquicas e regional em 27 de setembro.

O presidente da ADI e ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada anunciou que apoia o condidato e atual líder parlamentar do partido, Nito Viegas D’Abreu, e definiu como um dos objetivos do partido evitar a reeleição de Carlos Vila Nova.

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