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Livro infantil “A Girafa do Noah” de Wilds Gomes torna-se projeto pedagógico em jardim de infância de Lisboa

Wilds Gomes

O livro infantil “A Girafa do Noah”, do jornalista e apresentador de televisão, Wilds Gomes, foi escolhido pelo Jardim de Infância do Centro Social Paroquial Nuno Álvares Pereira de São Tiago de Camarate, em Lisboa, para integrar o projeto pedagógico de todo o ano letivo.

A obra passa agora a servir como ferramenta educativa para atividades ligadas à aprendizagem emocional, empatia, autoestima, expressão artística e desenvolvimento da linguagem.

A decisão surpreendeu o autor, que admite não ter antecipado o alcance que a obra viria a ter junto da comunidade educativa.

Depois de ter lido e apresentado o livro às crianças, a educadora deu-me essa notícia. Confesso que não estava nada à espera”, revelou Wilds Gomes à RSTP.

Quando escreves um livro, pelo menos no meu caso, queres que ele chegue a toda a gente e que tenha algum tipo de impacto. Mas nunca pensei que fosse um impacto tão grande e positivo ao ponto de se tornar um projeto pedagógico, plano de leitura e fio condutor de um ano letivo”, acrescentou.

Para o autor, a escolha representa uma enorme responsabilidade, mas também uma confirmação do percurso que a obra tem vindo a construir junto de crianças, famílias e educadores.

Estou extremamente feliz com o percurso que tenho feito com A Girafa do Noah”, afirmou.

Um dos aspetos que distingue a obra é a forma como aborda temas complexos, como a perda e o luto, através de uma linguagem acessível às crianças, sem simplificar excessivamente as emoções envolvidas.

Quantas vezes nós, adultos, falamos com as crianças de igual para igual ou numa linguagem que consigam perceber facilmente? Poucas”, questionou o escritor.

Segundo Wilds Gomes, o livro procura precisamente preencher essa lacuna, oferecendo uma narrativa capaz de abrir espaço para conversas sobre sentimentos que muitas vezes nem os próprios adultos conseguem gerir.

Abordo um tema pouco falado e explorado com as crianças: a perda e o luto. Porque nem nós, como pessoas adultas, sabemos lidar com esses sentimentos. De uma forma muito simples, através de uma narrativa infantojuvenil, tento falar sobre a perda”, disse.

Ao longo da história, Noah enfrenta diferentes emoções e desafios interiores, espelhando situações comuns na infância. Para o autor, a principal necessidade das crianças é, muitas vezes, serem escutadas e terem os seus sentimentos reconhecidos.

O Noah passa por vários sentimentos e emoções, alguns deles não sabe como lidar. O que muitas vezes acontece com as crianças, quando elas só precisam de ser ouvidas e que validemos o que sentem. Isso é ser empático”, precisou Gomes.

A obra também procura transmitir uma mensagem de fortalecimento emocional, incentivando as crianças a reconhecerem o seu próprio valor e capacidades.

Quando desde cedo nutrimos a conversa sobre sentimentos e normalizamos a sua expressão, essas crianças serão adultas mais conscientes das suas vulnerabilidades e fragilidades, sem medo de falar sobre elas ou de procurar ajuda, caso necessário”, defendeu.

De acordo com o autor da obra, uma das reflexões centrais do livro prende-se com a ideia de força interior.

Há uma questão que se levanta no livro acerca da nossa força. Ela vem de dentro, é interior. Quando as crianças acreditam que a força está dentro delas, conseguem fazer muita coisa, sentem-se mais capazes e sentem-se melhores consigo mesmas”, assegurou.

Para o escritor, esta ligação entre autoconhecimento, emoções e confiança é fundamental para o desenvolvimento da autoestima e da inteligência emocional.

O processo de criação de “A Girafa do Noah” decorreu ao longo de quatro anos. O projeto contou com o selo editorial da BANTUMEN e as ilustrações de Ana Marta Huffstot, numa colaboração marcada por valores comuns relacionados com a parentalidade e a educação consciente.

O processo foi muito natural. O que outrora era uma ideia tornou-se algo real no espaço de quatro anos”, explicou.

A escrita da obra foi também influenciada por experiências pessoais do autor, nomeadamente momentos de perda familiar vividos durante esse período.

O facto de pensar muito sobre a vida, de a viver com intensidade, faz-me refletir muito sobre a perda e o luto. Durante a escrita do livro, tive alguns momentos menos bons de perdas familiares que impulsionaram, de alguma forma, mesmo sem querer, o processo”, referiu.

Além da dimensão emocional, Wilds Gomes espera que a obra contribua para incentivar hábitos de leitura junto das crianças e das suas famílias.

Ao ver o livro transformado num instrumento pedagógico para um ano inteiro de aprendizagem, o autor espera que a principal mensagem da história permaneça viva junto de todos os envolvidos.

O amor é importante. Mas mais importante ainda é refletirmos sobre o que sentimos”, sublinhou.

A mensagem final de “A Girafa do Noah” é simples, mas profunda: a força necessária para enfrentar os desafios da vida encontra-se dentro de cada pessoa.

Quero que as crianças, os educadores e as famílias percebam que a força que mais precisamos está dentro de nós e que somos especiais, cada um à sua maneira”, concluiu.

Wilds Gomes nasceu em São Tomé e Príncipe e vive em Portugal desde os quatro anos de idade. De origem são-tomense e cabo-verdiana, cresceu num contexto marcado pela diversidade cultural, que influenciou profundamente o seu percurso pessoal e profissional.

Jornalista e apresentador de televisão, afirma-se como uma personalidade singular, tal como o seu nome, destacando-se por uma abordagem autêntica, próxima e diferenciadora na comunicação.

Formado em Comunicação e Jornalismo, construiu o seu percurso com foco na valorização das histórias da lusofonia, dedicando-se a dar visibilidade à força criativa, à identidade e às conquistas das comunidades dos PALOP.

Integra a BANTUMEN, onde desempenha atualmente funções como Diretor de Marca e Parcerias. Neste papel, é responsável pelo desenvolvimento estratégico da marca, criação de colaborações e estabelecimento de pontes entre projetos, marcas e comunidades, reforçando o impacto cultural e social da plataforma.

Atualmente, é apresentador do programa “Bem-vindos”, transmitido pela RTP África, onde conduz entrevistas e conversas com figuras relevantes das áreas da cultura, música, empreendedorismo e intervenção social, mantendo uma forte ligação com o público.

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