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Roça Sundy celebra 107 anos da comprovação da Teoria da Relatividade e reforça apelo à valorização da ciência

Roça Sundy

A Roça Sundy, na Ilha do Príncipe, assinalou os 107 anos da comprovação da Teoria da Relatividade de Albert Einstein com um programa de atividades educativas e científicas que reuniu estudantes, professores, membros do Governo Regional e o Presidente da República, Carlos Vila Nova.

A celebração serviu para recordar a importância histórica do eclipse observado no Príncipe em 1919 que permitiu ao astrónomo britânico Arthur Eddington confirmar uma das previsões mais importantes da teoria de Einstein, e para reforçar a necessidade de uma maior aposta na educação e na ciência como pilares do desenvolvimento do país.

Durante a cerimónia, o Chefe de Estado sublinhou a importância do legado científico associado à data, considerando que a comprovação da teoria não foi apenas um marco académico, mas uma descoberta que impulsionou o desenvolvimento da humanidade.

Não foi uma teoria comprovada para ficar nos papéis. Ela permitiu que o ser humano evoluísse científica e tecnicamente”, afirmou Carlos Vila Nova, manifestando ainda a sua satisfação por participar pela primeira vez nas comemorações.

As atividades incluíram várias estações educativas dedicadas à ciência, matemática e astronomia, proporcionando aos estudantes uma experiência prática de aprendizagem.

Os alunos destacaram a importância da iniciativa para aprofundar os seus conhecimentos sobre o universo, a gravidade e os fenómenos espaciais.

Um dos temas abordados este ano foi a aplicação da matemática no quotidiano. Os participantes recordaram que a formulação da teoria da relatividade também esteve profundamente ligada ao trabalho matemático, demonstrando a estreita relação entre ciência e matemática.

Isso vem nos mostrar da forma como nós devemos compreender como está o espaço. Nós sabemos que o espaço tem um corpo de grande massa, que é o Sol, e os outros giram à volta por causa da sua atração. Isso revolucionou a física moderna, também nos ajuda a entender a gravidade de uma forma mais simples”, disse Marcos Silva, um dos alunos.

Sobre o tema da matemática, neste caso, este ano escolhemos o tema como podemos aplicar a matemática no nosso dia a dia”, disse Ellen Paraíso.

O professor Josias Umbelina aproveitou a ocasião para defender uma maior aposta na educação científica e na valorização dos recursos pedagógicos nas escolas. Segundo o docente, o país enfrenta carências significativas em materiais básicos de ensino, o que limita a aprendizagem prática dos alunos.

Apostar na ciência, no saber e no conhecimento é a única saída que temos. O Estado precisa criar condições mínimas para que possamos trabalhar melhor”, defendeu.

Umbelina apelou ainda à criação de laboratórios, centros de aprendizagem e espaços equipados nas escolas, argumentando que a observação e a experimentação são fundamentais para melhorar a qualidade do ensino e despertar o interesse dos jovens pela ciência.

O educador considera que a Ilha do Príncipe reúne condições para se afirmar como um importante polo de desenvolvimento científico e educativo, aproveitando o reconhecimento internacional decorrente do acontecimento histórico de 1919.

Criar centros nas escolas onde os alunos pudessem pegar, por exemplo, laboratórios, meios, salas onde os alunos pudessem ver, porque aquilo que se vê entra nos 80% de informação. Então nós falamos muito na teoria, teoria nas escolas”, referiu.

Eu estou convencido mesmo que nós temos preparado muito mal os nossos alunos e por isso o resultado não pode ser o melhor. Tem que ser uma aposta com metas e depois provarmos se é possível ou não, e o Príncipe pode ser um polo disso”, acrescentou.

As comemorações dos 107 anos da comprovação da Teoria da Relatividade reafirmaram, assim, a importância da preservação do património científico da Roça Sundy e reforçaram o apelo a um maior investimento na educação como caminho para o progresso e desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.

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