A missão médica portuguesa de Otorrinolaringologia, realizada no âmbito do projeto Saúde para Todos, assinalou 15 anos, destacando resultados positivos, com mais de três mil consultas e cerca de mil consultas, que contribuiram para a melhoria dos cuidados de saúde especilizados aos doentes com problemas auditivos e outras doenças em São Tomé e Príncipe.
Segundo os dados apresentados, desde o início do programa foram realizadas 51 missões médicas, que resultaram em 3.259 consultas de otorrinolaringologia, 980 cirurgias e na colocação de 143 próteses auditivas, beneficiando centenas de são-tomenses que anteriormente tinham acesso limitado a estes cuidados especializados.
Durante a cerimónia de apresentação do balanço das intervenções, a coordenadora das missões de otorrinolaringologia, Cristina Caroça, sublinhou que o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos 15 anos permitiu melhorar significativamente o diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doentes com problemas auditivos e outras patologias da especialidade.
“Podemos dizer que temos o envolvimento de vários voluntários em diferentes áreas […] houve um envolvimento em projetos de investigação de um problemas que ocorrem no país que é a surdez, a vacina que previne o surgimento da surdez, a cardiopatia congênita e as cataratas congênitas […] por outro lado a formação e a telemedicina”, afirmou Cristina Caroça, enumerando os avanços alcançados.
Um dos principais objetivos do projeto tem sido também a transferência de conhecimentos para os profissionais são-tomenses, contribuindo para a autonomia progressiva do sistema de saúde nacional. Neste âmbito, foi igualmente destacada a introdução da telemedicina, que permitiu a realização de cerca de 1.900 consultas à distância e o acompanhamento contínuo dos pacientes entre as missões presenciais.
O ministro da Saúde, Celso Matos, considerou que os resultados obtidos representam um avanço importante para o país, destacando iniciativas complementares como a elaboração do manual gestual em língua portuguesa, destinado a promover a inclusão e melhorar a comunicação com pessoas com deficiência auditiva.
“A grande mais valia dessas missões foi a introdução da língua gestual após estudos que demonstraram um número considerável de surdez nas crianças são-tomenses. Sem dúvidas isto trouxe maior inclusão e melhor futuro para as crianças e suas famílias”, sublinhou Celso Matos.
Financiadas pela Cooperação Portuguesa, as missões médicas inserem-se no projeto Saúde para Todos e abrangem diferentes áreas de intervenção, desde a assistência clínica à formação de profissionais e ao reforço das capacidades técnicas dos serviços de saúde.
“Quinze anos representam muito mais que uma sucessão de missões médicas, representa uma relação de confiança contínua ao longo do tempo […]. Ao longo desses anos as missões de otorrino afirmou-se como uma das componentes mais consistentes e mais emblemáticas da saúde para todos, com resultados que ultrapassaram em vários momentos o que esperávamos do projeto”, enalteceu a diretora do centro português de cooperação, Paula Pereira.
Para o futuro, os responsáveis defendem a formação de um quadro nacional especializado em otorrinolaringologia, considerado um passo essencial para assegurar uma resposta permanente às necessidades da população e consolidar os ganhos alcançados ao longo dos últimos 15 anos.
