O líder parlamentar da Ação Democrática Independente (ADI), Nito D’Abreu, através dos seus representantes, entregou hoje ao Tribunal Constitucional a candidatura às presidenciais de 19 de julho, afirmando-se como candidato independente e de rotura, segundo o porta-voz da campanha.
Alexandre Guadalupe disse que a candidatura de Nito D’Abreu representa “uma rotura com o passado e com as velhas práticas” e pretende “mudar o curso das coisas” após os 50 anos da independência nacional assinalados em 12 de julho do ano passado.
“Estamos a começar uma nova era, é preciso que o façamos com alguma diferença, é preciso que haja uma nova abordagem para convivermos com o futuro”, defendeu Alexandre Guadalupe, sublinhando que a candidatura de Nito D’Abreu “significa uma esperança para a juventude, para o povo de São Tomé e Príncipe”.
O porta-voz da candidatura de Nito D’Abreu disse acreditar que o político e membro da ADI vai construir pontes ao invés de conflito e ódio, permitir que as instituições funcionem, “que haja o respeito escrupuloso das leis e da Constituição”, o que disse não estar a acontecer nos últimos tempos.
Alexandre Guadalupe destacou que a candidatura de Nito D’Abreu é independente, mas deverá contar com o apoio da Ação Democrática Independente, sendo que o presidente do partido e ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada já declarou apoiá-lo e apelou aos militantes a fazerem o mesmo.
No vídeo de anúncio da sua candidatura, publicado nas redes sociais a 14 de maio, Nito D’Abreu, de 43 anos, afirmou-se como representante da geração nascida depois da independência, que não herdou sonhos dos combatentes da liberdade, mas sim “as consequências dos fracassos acumulados, das oportunidades perdidas, da pobreza persistente, das promessas adiadas e das dívidas”.
“A minha geração não quer apenas sobreviver. Quer viver com dignidade. Quer estudar e trabalhar sem medo do amanhã. Quer um país onde o talento, a competência e o mérito valham mais do que compadrio e apelidos. Um país onde a juventude não seja condenada à emigração, ao desemprego ou à dependência. Porque um país que abandona a sua juventude trai o próprio futuro”, salientou.
Para Nito D`Abreu, a “nova República” deve conduzir a um país “onde o Estado sirva o cidadão e não grupos privilegiados”, onde o mérito substitua o favoritismo, o poder respeite escrupulosamente a Constituição e onde ninguém esteja acima da lei.
São Tomé e Príncipe terá eleições presidenciais em 19 de julho e as legislativas, regional e autárquicas em 27 de setembro.
Nito D’Abreu, o atual Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, e o jurista Miques João Bonfim são até ao momento os únicos que formalizaram a candidatura às presidenciais de 19 de julho, cujo prazo de candidaturas termina quinta-feira, 04 de junho.
