A Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) alertou para os efeitos económicos do conflito no Médio Oriente sobre os países da África Central, defendendo o reforço da integração económica regional, da industrialização e da transformação local dos recursos naturais como estratégias para aumentar a resiliência da região face a choques externos.
As considerações foram apresentadas durante um webinar regional de alto nível.
A UNECA destacou que o conflito no Médio Oriente está a provocar perturbações nos mercados mundiais de energia, fertilizantes, matérias-primas e transportes, com consequências diretas para as economias da África Central.
A organização recordou que o Médio Oriente concentra cerca de 48% das reservas mundiais comprovadas de petróleo e 40% das reservas de gás natural, enquanto o Estreito de Ormuz assegura a passagem de aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia e de cerca de um quarto do comércio marítimo mundial de petróleo.
“A subida dos preços da energia, dos fertilizantes e dos transportes poderá agravar a inflação alimentar, aumentar os custos de produção e pressionar ainda mais as finanças públicas dos países da região”, referiu.
A UNECA citou que a África Central continua particularmente exposta devido à sua dependência de combustíveis refinados e insumos agrícolas importados, à limitada capacidade regional de refinação e às fragilidades das cadeias de abastecimento.
A comissão das Nações Unidas sublinhou ainda a erosão do poder de compra das famílias, o aumento da vulnerabilidade das populações urbanas e o risco de tensões sociais resultantes da subida dos preços dos bens essenciais.
Apesar dos riscos, a organização considera que a crise também pode representar uma oportunidade estratégica para a região. A organização destaca que a África Central concentra cerca de 65% dos recursos energéticos do continente e 25% dos seus recursos hídricos, ativos que poderão sustentar uma transformação económica mais profunda.
“O contexto atual evidencia a necessidade imperiosa de reforçar a resiliência económica face aos choques externos. A cooperação regional e as parcerias estratégicas continuam a ser essenciais para enfrentar os desafios de hoje e desbloquear as oportunidades de amanhã”, afirmou o diretor do Escritório Sub-Regional da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) para a África Central, Jean Luc Mastaki.
Entre as recomendações apresentadas figuram o reforço da integração económica regional e da implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana, o investimento na refinação e na petroquímica, o desenvolvimento da agroindústria, a criação de zonas económicas especiais e a modernização dos corredores de transporte e logística.
A UNECA conclui que a capacidade da África Central para transformar localmente os seus recursos e posicionar-se de forma estratégica nas cadeias de valor globais será determinante para reforçar a sua resiliência económica e reduzir a dependência de fatores externos.
