O grupo Ilha dos Poetas Vivos promoveu o 1.º Festival “Tributo de Ação à São: Memória e Legado”, uma iniciativa de homenagem à jornalista e poetisa são-tomense Conceição Lima, que faleceu há um mês, e está a promover uma petição para a introdução da obra da autora no currículo escolar nacional para manter vivo o legado daquela que foi distinguida como Embaixadora da Cultura.
O evento decorreu na CACAU no dia 6 de junho e reuniu amantes da poesia, amigos e familiares da escritora, numa noite marcada por declamações de poemas, momentos musicais e testemunhos sobre a vida e a obra de Conceição Lima.
Durante a homenagem, membros do grupo organizador destacaram a relevância da poetisa para a literatura são-tomense e a necessidade de preservar o seu legado.
“O nível da promoção da literatura são-tomense, mais fora, porque os de fora aparentemente perceberam a importância que a nossa poetisa tem para o mundo”, afirmou Ivanick Lopana, sublinhando a sua capacidade de produzir obras e narrativas sobre São Tomé e Príncipe e a sua constante preocupação com o futuro da nação.
Também durante o festival, Marty Pereira refletiu sobre a necessidade de valorização das figuras culturais nacionais, defendendo a preservação da memória coletiva e do legado dos seus principais criadores.
“Somos um país estranho, um país que enterra os seus tesouros e depois procura o ouro, um país que esquece os seus mestres e pergunta porquê que não tem professores, um país que mata os contadores de histórias e depois lamenta a falta de memória“ declamou Marty Pereira.
Num dos momentos de homenagem, Remy Diogo agradeceu o contributo de Conceição Lima para a literatura e para a construção da identidade nacional através da poesia, considerando que os seus ensinamentos continuarão a inspirar as gerações futuras.
“Obrigado Conceição, por fazeres das letras nutrição, da ilha coração, da memória resistência e da poesia um país inteiro. Os teus ensinamento serão combustível para os vindouros, porque a vida passa, os corpos cansam, o tempo consome tudo aquilo que é matéria, mas a caneta essa é eterna, obrigado”, declamou Remy Diogo
Celiza Deus Lima agradeceu a iniciativa e reconheceu a dimensão do legado deixado pela irmã, afirmando que caberá à família, aos amigos e à sociedade são-tomense contribuir para a sua perpetuação.
“Dizer-vos que é tudo muito recente, como hão de compreender, por isso num momento como este faltam palavras, mas entretanto queria dizer-vos que o legado da São é gigante, a São dizia que era mais valorizada no estrangeiro do que no seu próprio país, e que amar São Tomé e Príncipe a fazia sofrer. Cabe à família, aos amigos, à sociedade todos juntos, perpetuamos e eternizamos o legado da São”, afirmou Celiza Deus Lima em lágrimas.
A família, bem como grupos e personalidades da cultura são-tomense presentes no evento, manifestaram o compromisso de trabalhar para manter viva a memória e a obra de Conceição Lima, independentemente das ações do Estado.
A Jornalista e poetisa Conceição Deus Lima faleceu na manhã do dia 15 de Maio do corrente ano.
