Janira Hopffer Almada assumiu hoje a presidência da Assembleia Nacional de Cabo-Verde, tornando-se na primeira mulher no cargo, e afirmou que a sua eleição “pertence a todas as mulheres cabo-verdianas”, representando “um amadurecimento da democracia e um avanço na luta pela igualdade de género”.
“Esta eleição pertence a todas as mulheres cabo-verdianas que, ao longo de gerações, lutaram com dignidade, resiliência e determinação pela igualdade de direitos, pelo reconhecimento pelas nações e pela oportunidade de ocupar, com mérito, posições de poder nas instituições do Estado. Representa ainda o avanço da luta pela igualdade de género e um sinal inequívoco de que Cabo Verde continua a evoluir rumo a uma sociedade mais justa e inclusiva”, afirmou Janira citada pela Lusa, no seu primeiro discurso após ser eleita.
Janira Almada defendeu que o parlamento deve ser um espaço de “diálogo construtivo, respeito mútuo e pluralismo democrático”, comprometendo-se a exercer funções com imparcialidade e a ser “presidente de todos os deputados, sem favoritismos e sem discriminações”.
A nova presidente prometeu ainda uma liderança “pelo exemplo” e afirmou que será “guardiã da Constituição”, que classificou como “a bússola” que guiará a sua atuação.
Janira Hopffer Almada assumiu também como prioridade reforçar a transparência e acelerar a reforma da Assembleia Nacional, defendendo um parlamento mais próximo dos cidadãos e focado na resolução dos problemas do país.
Considerou que o parlamento deve ser “uma voz ativa” na resposta às aspirações dos cabo-verdianos e apelou à construção de consensos em torno das principais causas nacionais.
Durante o discurso, agradeceu ao presidente do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV, pelo qual foi eleita) e primeiro-ministro indigitado, Francisco Carvalho, que classificou como um líder com “autenticidade admirável” e “generosidade raríssima”, destacando a sua “capacidade de ver antes do tempo e além do óbvio”.
Janira Hopffer Almada, 47 anos, sucede a Austelino Correia, do Movimento para a Democracia (MpD), partido que esteve no poder nos últimos 10 anos.
Advogada e deputada, licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra, onde completou uma pós-graduação em Direito das Empresas, foi a mais jovem líder e primeira mulher a presidir ao PAICV (2014-2021) e foi ministra (2008-2015) em governos do primeiro-ministro José Maria Neves (atual Presidente da República).
Precisamente três meses antes de completar 30 anos, a 27 de junho de 2008, era anunciada como ministra da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, assumindo em 2011 a pasta da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos Recursos Humanos.
Perdeu as eleições legislativas de 2026 e 2021 para Ulisses Correia e Silva (MpD), demitindo-se da liderança do PAICV.
Voltaria a tomar a palavra no parlamento a 29 de julho de 2022, criticando o rumo político do arquipélago.
Em 2025, depois de Francisco Carvalho conquistar a liderança do partido, integrou a comissão permanente do partido e foi eleita deputada nas eleições realizadas há um mês.
Em várias intervenções públicas, Francisco Carvalho assinalou que alcançou a liderança do PAICV graças a Janira Hopffer Almada, desde que, em 2020, o apoiou a candidatar-se à Câmara da Praia, o que abriu caminho à sua ascensão no partido e à eleição como primeiro-ministro.
