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DPSSF conclui  Recertificação do Cadastro Social Único com atualização de dados de mais de 12 mil famílias

A Direção da Proteção Social e Solidariedade (DPSS) concluiu o processo de recertificação do Cadastro Social Único (CSU), que permitiu a atualização dos dados de 12.560 agregados familiares e a expansão da cobertura do sistema de 8.000 para 12.000 famílias, anunciou a instituição.

O Cadastro Social Único (CSU) é um instrumento de inclusão social destinado à identificação e caracterização socioeconómica de pessoas e agregados familiares. Foi instituído pelo Decreto-Lei n.º 16/2018 e posteriormente regulamentado pelo Decreto-Lei n.º 3/2023, que estabelece as normas e os procedimentos de organização e funcionamento do CSU.

O CSU tem como finalidade constituir a base de informação para todos os programas, projetos e iniciativas alinhados com os objetivos e dispositivos da proteção social nacional. Serve igualmente como ferramenta estratégica e operacional para a gestão individual e familiar no âmbito da construção de um sistema de proteção social abrangente, cobrindo prioritariamente a população residente que se encontra em:

·       Situação grave de pobreza;

·       Necessidades especiais decorrentes de deficiência;

·       Situação atual ou previsível de risco, exclusão social ou isolamento;

·       Situação atual ou previsível de dependência económica;

·       Qualquer outra situação de risco ou vulnerabilidade definida ou priorizada por norma legal aplicável.

De acordo com o regulamento estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 3/2023, os dados das pessoas e agregados familiares cadastrados devem ser atualizados, em regra, a cada dois anos. Neste contexto, a DPSSF, com o apoio do Projeto de Proteção Social, Resiliência e Recuperação (PPSRR), realizou, no primeiro trimestre de 2026, o processo de recertificação, ou seja, a atualização dos dados dos indivíduos e agregados familiares registados no CSU, bem como a expansão da sua cobertura populacional de 8 mil famílias para 12 mil famílias.

Este processo permite:

·   Atualizar os dados socioeconómicos dos indivíduos e agregados familiares beneficiários do PFV, conforme as normas do CSU.

·   Expandir a cobertura populacional do CSU, incluindo novos agregados familiares em situação de vulnerabilidade.

·   Reforçar a qualidade, consistência e completude da base de dados do CSU, garantindo maior eficiência na gestão dos programas de proteção social.

·   Apoiar o alinhamento dos processos de recertificação com os dispositivos legais e operacionais previstos no Decreto-Lei n.º 3/2023.

O público-alvo do Cadastro Social Único (CSU) abrangiu toda a população nacional, com especial enfoque nos seguintes grupos:

·        Famílias em situação de pobreza, extrema pobreza e vulnerabilidade socioeconómica;

·        Beneficiários do Programa de Famílias Vulneráveis (PFV);

·        Famílias com cadastros pendentes de atualização ou recertificação;

·        Famílias chefiadas por mães solteiras, incluindo aquelas com crianças com deficiência;

·        Agregados familiares em outras situações de risco ou vulnerabilidade definidas por norma legal aplicável.

ATIVIDADES REALIZADAS PELA DPSSF/UIP DURANTE A RECERTIFICAÇÃO E EXPANSÃO DO CSU

Fase de recolha de dados

Atividades realizadasDetalhesDatasResultados
Realização da primeira fase de inquerito pilotoTestar o sistema de recolha de dados19 à 21.Fev.2026Concluído
Análise de inquerito pilotoIdentificar falhas23 à 24.Fev.2026Concluído
Atualização de ferramenta de recolha de dadosCorrigir e atualizar os defeitos25 à 27.Fev.2026Concluído
Realização de segunda fase de inquerito pilotoConfirmar a eficiência do sistema02 à 04.Mar.2026Concluído
Criação de postos de pre-registosLugares criados para que as pessoas interessadas pudessem se inscrever27.Fev. à 06.Abr.2026Concluído
Registo de beneficiários nos pontos de pré-registo 02 à 27.Mar.2026Concluído
Recertficação e expanão do CSU – Início oficial 16.Mar. à 06.Abr.2026Concluído
Rebuscagem de beneficiarios PFV não recertificadoLocalizar as pessoas que não foram encontradas na primeira fase do cadastro13 à 24.Abr.2026Concluído
Realização de cadastros por pedido – pré-registoVisitar e cadastrar as a famílias que se inscreveram nos pontos de pré-registo13 à 24.Abr.2026Concluído
Publicação da lista de PFV não recertificada nos pontos públicos e Camaras DistritaisPublicação das listas dos beneficiários do Programa Família não encontrados27.Abr. à 01.Mai.2026Concluído
3º Pagamento dos Benefiários do Programa Família VulnerávelAtividade de rotina (bimensal)25 à 29.Maio.2026Concluído
Correção e limpeza da base de dadosTratamento de dados13.Abr. à 24.Jun.2026Concluído
Recertificação complementar: casos de reclamações e ocorrências decorrentes de bloqueios de cartões durante o 3º pagamento do PFV 22 à 26.Junho.2026Concluído
Correção e limpeza da base de dados 13 de abril a 26 de junho de 2026Concluído

RESULTADOS BLOBAIS OBTIDOS NA 2ª RECERTIFICAÇÃO E EXPANSÃO DO CADASTRO SOCIAL ÚNICO – 2026

Número de famílias cadastradas – CSU

Nº de agregados familiares atualizados12. 560 Agregados CSU
Nº de indivíduos dos agregados familiares atualizados52.808 IndivíduosCSU
Nº Crianças em idade escolar27.665 criançasCSU

5.2. Desagregação de agregados e indivíduos por distrito

DistritoAgregadosIndivíduos
ÁGUA GRANDE3 48714 559
CANTAGALO1 6367 451
CAUÉ6822 916
LEMBÁ1 5086 362
LOBATA1 5556 151
MÉ-ZÓCHI2 90311 989
RAP7893 380
Total Geral12 56052 808

5.3. Chefes de família por género

GéneroNª de famílias chefiadas por mulheres e homens%
Mulher (Feminino)12.08396%
Homem (Masculino)4774%

5.4. Dados dos beneficiários do Programa Família Vulnerável (PFV)

Nº atual de famílias do pvfNº total de famílias atualizadas/CADASTRADASNº de famílias não encontradas
5.0004.93961

PRÓXIMOS PASSOS DO PROCESSO DE RECERTIFICAÇÃO E EXPANSÃO DO CSU 2026

Fase de aplicação e validação do Proxy Means Test (PMT)

ATIVIDADES PREVISTAS DATAS PREVISTAS
Análise e validação interna da base de dados                      29 de junho à Final de Agosto
Aplicação da fórmula PMT
Produção da lista classificada
Extração da lista provisória Programa Família Vulnerável (PFV)
Reunião do comité de Cadastro Social Único: Coordenadores distritais, líderes comunitários, presidentes das câmaras distritais, etc.
Publicação da lista provisória
Lista provisória de beneficiários do programa família graduados (excluídos) que serão potenciais candidatos ao Programa de Apoio à Criação do Próprio Emprego)
Reclamação (Canal para reclamar aberto ao público)
Reunião de Comitê de recertificação Reunião do comité de Cadastro Social Único: Coordenadores distritais, líderes comunitários, presidentes das câmaras distritais, etc.
Elaboração da lista definitiva
Publicação da lista definitiva
Atividade de lançamento de expansão CSU
Atividade de lançamento da expansão do Programa Família Vulnerável (PFV) para 6000 famílias
1º Pagamento dos 6000 beneficiários

FASE DE APLICAÇÃO E VALIDAÇÃO DO PROXY MEANS TEST (PMT)

Em locais com alto índice de economia informal, como é o caso de São Tomé e Príncipe, é muito difícil exigir um “comprovante de renda” ou contracheque para saber quem é pobre. Por isso, usa-se um indicador indireto (proxy).

No processo do Cadastro Social Único é aplicada as famílias um questionário para levantar características visíveis e mensuráveis da vida da família, tais como:

Um algoritmo de computador cruza essas informações e gera uma pontuação socioeconômica para cada família. Quanto menor a pontuação, maior a vulnerabilidade daquele lar.

O papel do PMT dentro do programa Famílias Vulneráveis baseia-se em três pilares:

GRADUAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS (POTENCIAIS CANDIDATOS A ACPE+)

A Direção de Proteção Social, Solidariedade e Família (DPSSF), com o intuito de tornar o sistema de assistência social mais abrangente, promoveu uma importante atualização e expansão do Cadastro Social Único (CSU).

Anteriormente, o universo do CSU contava com um registo de 8 mil famílias, sendo que, dentro deste grupo, o Governo contempla 5 mil famílias com os subsídios e apoios financeiros do Programa Família Vulnerável (PFV).

Com a aprovação de um novo financiamento adicional do Banco Mundial, a capacidade de resposta do Estado são-tomense aumentou significativamente:

O desafio da transição e a necessidade de exclusão

Com a recente atualização de dados e a aplicação de ferramentas de avaliação (como o Proxy Means Test), a DPSSF constatou que muitas famílias mudaram a sua situação socioeconómica. Ao melhorarem as suas condições de vida, saírem da linha de pobreza extrema ou ao deixarem de cumprir critérios obrigatórios (como ter crianças em idade escolar), casos de falecimento e emigração, estas famílias deixam de ser elegíveis. Isto implica que, inevitavelmente, muitas famílias serão excluídas (graduadas) do PFV.

Para evitar que estas famílias fiquem desamparadas e saiam do programa de forma abrupta e insustentável, correndo o risco de reverter para a pobreza, o Governo lançou uma nova estratégia de saída: a subcomponente ACPE+ (Apoio à Criação do Próprio Emprego).

O ACPE+ é uma subcomponente inovadora desenhada especificamente como uma estratégia de transição e emancipação sustentável para as famílias que estão no processo de saída do Programa Família Vulnerável. Em vez de apenas cortar o subsídio bimensal, o Governo oferece uma “porta de saída” focada na autonomia financeira e no empreendedorismo.

Como funciona o ACPE+ (Principais Informações):

  1. Objetivo Central: Promover a autonomia, independência financeira e resiliência a choques económicos, dotando os beneficiários de capacidade para gerir os seus próprios negócios e interromper o ciclo intergeracional da pobreza.
  2. Público-Alvo e Seleção: O programa é direcionado a cerca de 10% dos beneficiários do PFV (com uma meta inicial divulgada de apoiar diretamente cerca de 500 agregados familiares).
  3. As Fases do Processo: O ACPE+ está estruturado de forma rigorosa em quatro etapas essenciais:
    • Identificação: Mapeamento dos potenciais empreendedores no seio das famílias elegíveis.
    • Seleção: Avaliação de viabilidade do perfil e da ideia de negócio.
    • Formação e Capacitação: Como muitos beneficiários têm baixa escolaridade, o projeto oferece cursos práticos de gestão, poupança e empreendedorismo para garantir que saibam gerir o dinheiro.
    • Acompanhamento e Mentoria: Monitorização contínua no terreno para ajudar na consolidação e sustentabilidade do negócio.
    • O apoio financeiro (Subvenção): Durante a fase de formação, os beneficiários elaboram um plano de negócios. Com base nesse plano, recebem um capital semente (uma subvenção não reembolsável) para investir na compra de mercadorias, equipamentos ou matérias-primas para o seu próprio negócio.
  4. Impacto esperado: O ACPE atua como uma ponte de dignidade. Ao transformar antigos beneficiários de assistência social passiva em microempreendedores ativos (criando pequenos comércios, bancadas de exposição, serviços agrícolas ou artesanais), o Governo garante que a saída do programa seja sustentável e que as famílias continuem a gerar rendimento próprio a longo prazo.

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