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Eleições`26: Ex-PM Jorge Bom Jesus desiste da candidatura às presidenciais

O ex-primeiro-ministro são-tomense Jorge Bom Jesus desistiu da candidatura às eleições presidenciais de 19 de julho, alegando uma “avalanche de inverdades criminosas” e clima de “divisão e crispação política” na declaração que entregou ao Tribunal Constitucional.

“Esta decisão foi tomada após profunda reflexão e ponderação responsável sobre as circunstâncias políticas atuais, sendo motivada por razões de natureza pessoal e pela firme convicção de que, diante de toda a avalanche de inverdades criminosas que têm sido difundidas e do clima de desconfiança que se instalou no país, a defesa do meu bom nome e da minha honra e a salvaguarda da integridade física e moral da minha família e de todos os meus apoiantes, devem prevalecer sobre quaisquer outras aspirações por mais legítimas que sejam”, lê-se na declaração.

Bom Jesus refere que ao aceitar o desafio de apresentar a candidatura foi “movido pelo sincero propósito de servir o povo santomense, contribuir para o fortalecimento das instituições democráticas e promover um projeto de esperança, estabilidade, progresso e unidade nacional”.

“Todavia, considerando as atuais circunstâncias e o contexto político em que vivemos, caracterizado, sobretudo, por uma divisão e crispação política sem precedentes que tende a agravar-se, e a necessidade de colocar acima de tudo, a coesão nacional e a serenidade do processo eleitoral, entendo que a decisão mais responsável e patriótica é a retirada da minha candidatura como forma de contribuir para o apaziguamento da situação e para a concórdia nacional”, declarou.

Na declaração, reconhece que a desistência acontece “fora do prazo estabelecido” na lei eleitoral que prevê admissão de desistência “até 24 horas antes da data de abertura do sorteio para  a ordem de posição de cada candidatura ou candidato no boletim de voto”.

No entanto o seu mandatário, Gilson Leite, justificou a entrega da carta sublinhando que daqui para frente Jorge Bom Jesus “já não se apresentará ao eleitorado como candidato, não fará campanha, não estará em comícios, não estará em reuniões de sensibilização de apoio à sua candidatura”.

Há uma semana, o ex-primeiro-ministro são-tomense Jorge Bom Jesus reafirmou que era candidato às eleições presidenciais 19 de julho, desmentindo o seu partido, que havia anunciado a sua desistência, declarando apoio à recandidatura do atual Presidente, Carlos Vila Nova.

Na altura, confirmou que se reuniu com a direção do MLSTP e com várias candidaturas, incluindo a de Carlos Vila Nova, para abordar assuntos ligados às eleições, incluindo questões financeiras, mas rejeitou qualquer recebimento ou desistência.

No mesmo dia, o presidente do MLSTP, Américo Barros, lamentou o comportamento de Jorge Bom Jesus, garantindo que tinha como provar que o ex-primeiro-ministro declarou que iria desistir da sua candidatura, esperando que ele viesse a redimir-se publicamente.

Segundo o líder do MLSTP, Jorge Bom Jesus disse que não faria a comunicação em primeira pessoa e no dia, por ter “alguns compromissos com alguns investidores e não gostaria que esses investidores tomassem conhecimento pela comunicação social, mas que o partido poderia avançar com o comunicado”.

Com a desistência de Jorge Bom Jesus, restam quatro candidatos às presidenciais, nomeadamente Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D’Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, e Carlos Manuel Vila Nova que é recandidato ao cargo.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.

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