O candidato à Presidência da República são-tomense Nito D’Abreu defendeu hoje maior aposta na juventude e apelou à votação massiva para vencer as eleições na primeira volta, prometendo influenciar na garantia de água, energia e estradas à população.
“No dia 19, logo pela manhã, eu penso que até às 10 horas, 11 horas, 12 horas, vamos decidir o futuro. Vamos jogar abaixo aquele que viola a Constituição. Constituição é o nosso documento sagrado. Aquele que não respeita a Constituição não respeita o povo. Então quem não respeita a povo, rua!”, declarou o candidato.
O candidato de 42 anos escolheu a comunidade de Almeirim, onde nasceu, para o início da sua campanha eleitoral, e seguiu em passeio em contacto e interação com as populações pelas comunidades vizinhas, no distrito de Água Grande.
“É a vez da juventude, é a vez daqueles que se preocupam com São Tomé e Príncipe. É a vez daqueles que sempre foram colocados à margem da sociedade […]. E é justamente a juventude que está fora do programa do governo. É justamente a juventude que nunca foi incluída no desenvolvimento do país. Chegou a nossa vez, chegou a nossa vez de fazer diferente”, apelou.
Para Nito D’Abreu, os 50 anos de independência de São Tomé e Príncipe são suficientes para “construir um novo presente”, mas com mudanças e sem “as mesmas manias de sempre”.
“Quem tem as mesmas manias de sempre, [vai para] casa! Vamos construir um futuro novo. Com a juventude, com os mais velhos, preocupados com aqueles que querem o desenvolvimento de São Tomé Príncipe”, declarou.
O candidato defendeu que o Presidente da República deve usar o poder de decisão para influenciar o Governo na tomada de decisões em prol da população.
“Agora vamos contar mais 50 anos com melhor qualidade de vida, com água, com energia, com tudo isso. Mesmo que o Presidente da República, dentro da Constituição, não encontre poder para fazer estrada, para fazer hospital, mas ele tem um poder sagrado. Ele tem a decisão. Ele deve chamar o governo para tomar posição e pôr as coisas a andar”, defendeu o candidato.
Nito D’Abreu é licenciado em Relações Internacionais e líder parlamentar da ADI, e concorre com apoio da direção do partido liderado pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada e a ala que o segue, em oposição ao candidato Carlos Vila Nova e ao primeiro-ministro, Américo Ramos.
Esta semana, Nito D’Abreu recebeu o apoio de partidos aliados da ADI e de Patrice Trovoada, nomeadamente, do Movimento de Cidadãos Independentes/Partido Socialista (MCI-PS) e do Partido de Unidade Nacional (PUN), porque o seu candidato inicial, Domingos Monteiro, viu a candidatura rejeitada pelo Tribunal Constitucional.
O Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP) também declarou apoio a Nito D’Abreu, que considerou como candidato da mudança.
O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais, nomeadamente Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D’Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, Carlos Manuel Vila Nova, que é recandidato ao cargo, e Jorge Bom Jesus, que anunciou a sua desistência já fora do prazo legal.
Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, com 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.
Uma Missão de Observação Eleitoral da União Europeia, chefiada pelo eurodeputado português Sérgio Humberto, está no terreno e prometeu uma análise rigorosa e transparente do processo eleitoral, assegurando neutralidade e imparcialidade dos seus observadores durante as eleições de 19 de julho e 27 de setembro (legislativas, regionais e autárquicas).
Nota de Redação:
Por limitações de meios a RSTP priorizará a cobertura de ações de campanha que decorram no distrito de Água Grande e arredores.
