O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) promoveram hoje uma reunião de mobilização de parceiros para reforçar o Banco Nacional de Sangue, que tem enfrentado desafios na captação de dadores, escassez de recursos humanos e limitações ao nível das infraestruturas e equipamentos.
A reunião, realizada em formato híbrido, juntou técnicos da Organização Mundial da Saúde (OMS), profissionais do Hospital Dr. Ayres de Menezes e parceiros, com o objetivo de discutir o reforço da segurança transfusional e a melhoria do funcionamento do Banco Nacional de Sangue.
O encarregado do escritório da OMS em São Tomé e Príncipe, Vilfrido Santana Gil, que interveio em representação do representante da organização no país, sublinhou que as cirurgias, o tratamento de anemias graves, os cuidados obstétricos de emergência, os traumatismos e muitas outras intervenções dependem de um serviço de sangue “eficiente, seguro e sustentável”.
“Em São Tomé e Príncipe, o Banco Nacional de Sangue desempenha um papel absolutamente central na prestação destes cuidados. No entanto, sabemos que persistem desafios relacionados com as infraestruturas, os equipamentos, os recursos humanos e a garantia da qualidade, que limitam a capacidade de resposta deste serviço essencial”, afirmou.
Vilfrido Santana Gil defendeu ainda que o investimento na segurança transfusional é indispensável para reforçar a resiliência do sistema de saúde, melhorar a resposta às emergências, à saúde materno-infantil e às doenças, contribuindo para o avanço da cobertura universal de saúde.
O ministro da Saúde, Celso Matos, avançou que está em curso um projeto financiado pelo Japão destinado ao apetrechamento do Banco Nacional de Sangue, com vista ao reforço da segurança transfusional.
“Que esta ação possa realmente trazer respostas mais cabais para os problemas que temos”, afirmou.
A responsável-adjunta do Banco Nacional de Sangue, Suzete de Carvalho, alertou para a frequente escassez de sangue. Carvalho apontou a insuficiência de dadores regulares como um dos principais desafios.
“Os nossos dadores benévolos regulares são muito escassos. Acredito que isso se deva a tabus e à falta de informação e sensibilização da população sobre a importância da doação de sangue”, afirmou.
Segundo Suzete de Carvalho, o Hospital Dr. Ayres de Menezes realiza, em média, cerca de 100 transfusões por mês.
“Esperamos mobilizar os parceiros para que possam ajudar-nos”, disse.
A responsável acrescentou que o Banco Nacional de Sangue necessita, pelo menos, de cerca de 20 dadores de dois em dois dias, para responder às necessidades mais imediatas, embora a procura seja frequentemente superior.
Suzete de Carvalho referiu ainda que a instituição conta com o apoio de organizações religiosas e de outros parceiros na sensibilização da população para a importância da doação voluntária de sangue.
