O investigador cultural são-tomense, Caustrino Alcântara, reconhecido pelo seu vasto conhecimento sobre a história, a cultura e as tradições de São Tomé e Príncipe, faleceu esta sexta-feira, aos 56 anos.
Nascido a 23 de fevereiro de 1970, Caustrino Alcântara construiu, de forma autodidata, um percurso marcado pela dedicação ao estudo da identidade cultural são-tomense. Embora não tivesse seguido uma carreira académica formal na área da investigação, tornou-se uma referência para estudiosos, agentes culturais e todos aqueles que procuravam compreender melhor a história, os costumes e o património nacional.
Ao longo de vários anos, participou em debates, palestras e iniciativas de valorização da cultura nacional, defendendo a preservação das manifestações culturais que constituem a identidade de São Tomé e Príncipe.
Um dos momentos mais marcantes da sua intervenção pública ocorreu em julho de 2024, durante a X Bienal de Artes e Cultura, quando, numa palestra realizada na Casa da Cultura, defendeu a institucionalização de uma data anual dedicada à celebração do Tchiloli na ilha de São Tomé.
Na ocasião, afirmou que a criação de uma data sazonal para homenagear esta manifestação cultural “seria uma grande valia para este património”, sublinhando a necessidade de reforçar a sua preservação e transmissão às novas gerações.
O seu profundo conhecimento sobre a história nacional, aliado à capacidade de partilhar saberes de forma simples e acessível, fez dele uma figura respeitada entre investigadores, artistas, estudantes e promotores culturais. Muitos recorriam aos seus conhecimentos para esclarecer episódios históricos, tradições populares e aspetos da memória coletiva do país.
A morte de Caustrino Alcântara representa uma perda significativa para a cultura são-tomense. Foi um homem que dedicou grande parte da sua vida à valorização da identidade nacional, deixando um legado de conhecimento, investigação e defesa do património cultural de São Tomé e Príncipe.
