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Seis roças de São Tomé e Príncipe reconhecidas pela UNESCO como Património Mundial

UNESCO

As históricas roças de São Tomé e Príncipe, nomeadamente, Água Izé, Diogo Vaz, Monte Café, São João, Belo Monte e Sundy, foram oficialmente inscritas na Lista do Património Mundial da UNESCO, tornando-se o primeiro bem do arquipélago a receber esta distinção internacional.

A decisão foi tomada durante a 47ª sessão do Comité do Património Mundial, que decorre em Busan, na Coreia do Sul.

A classificação reconhece o valor universal excecional de um conjunto de antigas roças, testemunhos da história da produção de cacau e café no arquipélago e da sua importância económica, social e cultural entre os séculos XIX e XX. Estes complexos agrícolas preservam um património arquitetónico singular e representam um capítulo marcante da história colonial africana.

A inscrição na lista da UNESCO é considerada um marco histórico para São Tomé e Príncipe, que passa a integrar o grupo de países com património cultural reconhecido pela organização.

Temos todos os elementos para desenvolver um turismo sustentável e, acima de tudo, valorizar as pessoas que vivem nesta reserva mundial da biosfera”, sublinhou, Sónia Carvalho, ponto focal da UNESCO para São Tomé e Príncipe citado pelo Tela Nón, dias antes deste reconhecimento.

O estatuto deverá reforçar os esforços de conservação, facilitar o acesso a apoio técnico e financeiro internacional e impulsionar o turismo cultural e sustentável no país.

A candidatura foi preparada ao longo de vários anos, envolvendo especialistas nacionais e internacionais, bem como trabalhos de investigação, inventário e valorização do património das antigas plantações. Algumas destas roças têm vindo a ser recuperadas e adaptadas para fins turísticos, culturais e comunitários, preservando simultaneamente a memória histórica destes espaços.

A decisão da UNESCO representa também um reconhecimento da complexidade histórica das roças, cuja importância patrimonial está associada tanto ao seu legado arquitetónico como à memória das comunidades que ali viveram e trabalharam.

O desafio passa agora por garantir a preservação destes locais e promover uma interpretação histórica inclusiva para as gerações futuras.

A candidatura das roças de São Tomé e Príncipe ao estatuto de Património Mundial foi oficialmente submetida à UNESCO em novembro de 2024, na sequência de um processo de preparação iniciado vários anos antes. Em 2023, o país apresentou pela primeira vez a sua Lista Indicativa à organização, incluindo o conjunto das seis roças agora reconhecidas, etapa obrigatória para a apresentação da candidatura definitiva.

Fonte: Lusa

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