Rádio Somos Todos Primos

Anuel Almeida quer levar a música são-tomense mais longe e aconselha jovens a não desistirem

Anuel Almeida

O jovem cantor são-tomense Anuel Almeida, residente atualmente em Inglaterra, revelou que quer conquistar o mercado musical nacional, levar as suas músicas ao maior número possível de pessoas em São Tomé e Príncipe e incentivar os jovens artistas a persistirem nos seus sonhos, numa trajetória marcada por desafios, aprendizagem e aposta numa identidade musical própria.

Em entrevista ao programa Voz da Juventude, da Rádio Somos Todos Primos (RSTP), o artista falou sobre o início da carreira, as dificuldades encontradas, as suas referências musicais e os objetivos para os próximos anos, tendo referido que o gosto pela música surgiu ainda na infância.

Desde criança a minha mãe sempre me disse que eu gostava muito de cantar”, disse o artista.

Entre as suas referências musicais estão artistas são-tomenses e internacionais. O cantor destacou nomes como Camilo Domingos, Juka, Calema e Ailton Dias, além do norte-americano Chris Brown.

O início da carreira, segundo Anuel Almeida, foi marcado por dificuldades e aprendizagem. O artista conta que, quando começou, praticamente não conhecia o funcionamento de um estúdio.

No início foi complicado, porque era tudo muito novo, não sabia o que é um estúdio, não sabia o que era um microfone, só tinha a voz, mas tinha que ser trabalhada com o tempo”, referiu.

Com o passar dos anos, o cantor afirma ter conseguido adaptar-se ao ambiente musical e desenvolver a sua forma de trabalhar. Um dos principais desafios, entretanto, continua a ser fazer com que as músicas ultrapassem o círculo mais próximo e alcancem novos ouvintes.

O maior desafio na carreira, acho que como todos os cantores passam, é tentar fazer com que a tua música chegue ao máximo de pessoas possíveis”, destacou o artista.

Apesar das dificuldades, Anuel Almeida garante que nunca chegou a tomar a decisão definitiva de abandonar a música. Para o artista, o apoio recebido do público é uma das principais razões que o fazem continuar.

Sei que hoje não está um bom dia, mas amanhã já recebo uma boa notícia, uma mensagem de apoio, e diz: continua, estás no meu caminho, então não tenho como desistir”, disse.

Anuel Almeida também falou sobre o processo de composição. Segundo o cantor, inicialmente tinha dificuldades em transformar aquilo que escrevia numa estrutura musical.

No início tinha alguma dificuldade em compor, porque eu escrevia, só escrevia, não compunha mesmo, não separava o que é um verso e o outro verso”, precisou Almeida, destacando o apoio de Babilona Beat, seu cunhado, que o ajudou a desenvolver as técnicas de composição.

Atualmente, o artista diz assumir grande parte da composição das suas próprias faixas, embora continue a contar com opiniões de produtores e amigos.

Anuel Almeida estima já ter mais de uma dezena de músicas no seu percurso musical. Entre os seus trabalhos disponíveis em plataformas digitais encontram-se “Me Deixa Ir”, “Agora ou Nunca” e “Hoje Tem”.

Musicalmente, identifica a Kizomba e o Ghetto Zouk como as suas principais bases, mas rejeita a ideia de ficar limitado a apenas um estilo.

Considero-me também um cantor muito versátil, não me limito só a fazer Kizomba ou Ghetto Zouk”.

Apesar de ter nascido em Portugal, Anuel Almeida afirma que gostaria de gravar uma música em crioulo são-tomense. O artista reconhece, contudo, que a questão do sotaque representa um desafio.

Como eu nasci em Portugal, é aquele sotaque, então não vai ser 100% original, mas estou a esforçar-me ao máximo para tentar fazer uma música em dialeto”, disse.

Por enquanto, o cantor ainda não explorou diretamente estilos tradicionais são-tomenses como o socopé ou a rumba, mas admite que já pensou em utilizar o dialeto nas suas músicas.

Mesmo vivendo em Inglaterra, Anuel Almeida diz acompanhar de perto a receção da sua música em São Tomé e Príncipe. O artista revelou já ter recebido vídeos e mensagens de familiares e ouvintes mostrando as suas músicas a tocar nas rádios nacionais.

O cantor pretende continuar a construir a carreira passo a passo, aproximar a sua música do público são-tomense e contribuir, juntamente com outros artistas, para o crescimento do panorama musical de São Tomé e Príncipe.

Exit mobile version