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Eleições’22: Patrice Trovoada regressa ao país quatro anos depois e quer maioria absoluta

A ADI afirma que “precisa de maioria absoluta porque quer governar esse país com todos, mas tem que ter legitimidade para fazer reforma”.

País -
Patrice Trovoada

O presidente da Ação Democrática Independente (ADI, oposição), Patrice Trovoada regressa esta semana ao país, após quatro anos no estrangeiro, para participar na campanha eleitoral e pedir maioria absoluta nas eleições de 25 de setembro, anunciou fonte oficial do partido.

“O líder do partido vai juntar-se a nós ainda nesta semana. Vai juntar-se a nós nessa semana [e ficar] até ao fim da campanha. Nós temos conduzido a coisa porque não é novidade para ninguém porquê que o Patrice não está cá, mas as pessoas tentam muitas vezes esconder as verdades, mas as pessoas sabem que houve perseguição”, disse à RSTP o secretário-geral da ADI, Américo Ramos.

O antigo primeiro-ministro (2014-2018) e candidato da ADI, Patrice Trovoada, está ausente do país desde 2018, após as legislativas, que venceu mas não conseguiu formar governo perante a coligação da chamada ‘nova maioria’ (MLSTP/PSD-PCD-MDFM-UDD).

O regresso de Patrice Trovada tem sido tema de críticas por parte dos partidos da ‘nova maioria’ que o acusam de estar no país apenas quando está na governação.

No entanto, para o secretário-geral da ADI, Américo Ramos, deve-se a motivos de perseguição política já conhecidos pela população e pelos dirigentes da ‘nova maioria’.

“Eu próprio, vocês sabem que eu estou cá graças a Deus porque eu fui perseguido, humilhado, caluniado. É a mesma coisa que queriam fazer para com Patrice. Se ele não tem interesses profissionais, não tem uma carreira profissional, não tem emprego em São Tomé porquê que ele estaria cá? Eu tenho, mas ele? Agora vai abdicar da parte profissional dele e vir fazer política. Ele quer ajudar São Tomé e Príncipe à frente do ADI”, justificou Américo Ramos.

O dirigente da ADI falava durante a concentração em Boa Entrada, distrito de Lobata ao norte de São Tomé, onde o maior partido da oposição esteve em passeata (caminhada com apoiantes) por algumas localidades, na segunda-feira.

“A nossa mensagem é que São Tomé e Príncipe está numa fase bastante delicada, houve uma degradação acentuada económica e social do país, então o lema e bandeira do ADI é recuperar o país […] o ADI está pronto, pensamos que nós somos a solução porque já demonstramos no passado e tudo vamos fazer para quando a gente for governo voltar a recuperar esse país, voltar a por o país no carris do desenvolvimento”, disse Américo Ramos.

O secretário-geral da ADI contrariou o discurso do primeiro-ministro e candidato a reeleição pelo Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PD), Jorge Bom Jesus que na campanha tem apresentado ações e projetos desenvolvidos pelo executivo nos últimos quatro anos.

“Três em cada quatro pessoas tem a plena consciência que o país está mal, custo de vida está elevadíssimo, a situação social está péssima, as infraestruturas estão degradas, então a mensagem do ADI é uma mensagem que é bem escutada pela população porque a população tem memória de um passado recente em que o ADI esteve quatro anos [na governação] e fez muita por este país”, afirmou o dirigente da ADI.

Para Américo Ramos o MLSTP/PSD “está a tentar vender uma coisa que não é verdadeira, está a vender um peixe podre porque o MLSTP, PCD, Basta, MDFM e toda a companhia esteve na governação durante estes quatro anos e a situação que o país está neste momento é culpa deles.

“Eu não sei como é que eles vêm vender a ideia de que querem mais quatro anos para voltarem a degradar mais o país? O povo é que sabe, o povo tem todas as provas de que o MLSTP e a nova maioria colocou o país numa situação bastante má. Não há desculpa para pandemia, para covid, não há desculpa para guerra porque o país recebeu muito recurso e esse país como sabemos precisa de recursos do exterior para implementar políticas públicas para o desenvolvimento do país. O dinheiro que receberam comeram e não fizeram nada”, disse Américo Ramos.

A ADI afirma que “precisa de maioria absoluta porque quer governar esse país com todos, mas tem que ter legitimidade para fazer reforma”.

“Nós estamos a dizer que o ADI é a solução, ADI quer maioria absoluta para implementar reforma porque esse país precisa de reforma. Nós sabemos que essa nova maioria demonstrou claramente que não teve capacidade de fazer reforma do país porque era pequenos retalhos, pequenas emendas, cada um a puxar par o seu interesse e não conseguiu fazer nada”, afirmou o secretário-geral da ADI.

No total, dez partidos e uma coligação entram hoje no terceiro dia da campanha para as eleições legislativas de São Tomé e Príncipe: Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe / Partido Social Democrata (MLSTP/PSD); Ação Democrática Independente (ADI); Basta; Movimento Democrático Força da Mudança/União Liberal (MDFM/UL); União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD); CID-STP, Movimento União para o Desenvolvimento Amplo (Muda); Partido Novo; Movimento Social Democrata/Partido Verde de São Tomé e Príncipe (MSD-PVSTP); Partido de Todos os Santomenses (PTOS) e a coligação Movimento de Cidadãos Independentes/Partido Socialista/Partido da Unidade Nacional.

Em disputa está a eleição de 55 deputados à Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, incluindo dois que pela primeira vez serão eleitos pelos círculos eleitorais da Europa e de África.

A ADI foi o partido mais votado nas eleições de 2018, elegendo 25 deputados, seguida pelo MLSTP/PSD, que conseguiu 23 assentos.

A coligação então formada pelo Partido da Convergência Democrática (PCD, segundo maior partido da oposição), pela UDD e pelo MDFM, foi a terceira formação mais votada, obtendo cinco mandatos. O Movimento de Cidadãos Independentes de São Tomé e Príncipe/Partido Socialista (MCI/PS) ocuparam dois lugares no parlamento.

MLSTP e a coligação PCD-UDD-MDFM formaram a chamada ‘nova maioria’ e constituíram governo, liderado por Jorge Bom Jesus.

No dia 25, também o governo regional do Príncipe vai a votos, concorrendo dois a União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP), liderado pelo atual presidente, Filipe Nascimento, e a coligação Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP) e MLSTP/PSD, encabeçada por Nestor Umbelina.

Os 123.302 eleitores são-tomenses são ainda chamados a escolher os presidentes das autarquias.

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