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REPORTAGEM: Da fuga aos polícias à busca do sustento para a família. A vida das vendedoras do fardo

“Cerca de 100 senhoras estão em casa sem carga para vender […] a quantia que elas tinham acabou todo, porque têm filhos em casa e não têm condições para fazer as compras de fardo”, conta uma vendedora.

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Rádio Somos Todos Primos

O negócio de venda de roupas usadas (fardo) tem registado um fluxo crescente, nos últimos tempos, com as mulheres vendedoras de fardo a apostarem cada vez mais neste ramo de atividade, com vista a garantir o sustento das suas famílias diante dos desafios e “repressão policial”.

A luta pelo sustento é diária, por isso é exigido à cada uma dessas mulheres, muita entrega e criatividade para conseguir atrair mais clientes ao negócio, que a cada dia vem servindo de alternativa à falta de emprego feminino em São Tomé e Príncipe.

Com escassez de espaço físico para montarem os seus ‘stands’, os diferentes pontos da capital têm servido de local, onde diariamente as mesmas montam os repectivos negócios, que na maioria, tem ajudado na alimentação, saúde e educação dos filhos.

Sem alternativa, a classe que conta hoje com mais de mil vendedoras, pede ajuda ao executivo, e lamenta o facto de sucessivos pedidos terem sido rejeitados.

Ludmila Costa, presidente da classe, considera que a situação “está péssima”, com mulheres passando fome e sem meio para matricular e alimentar os filhos.

“Cerca de 100 senhoras estão em casa sem carga para vender […] a quantia que elas tinham acabou todo, porque têm filhos em casa e não têm condições para fazer as compras de fardo”.

As vendedoras em suas lutas diárias têm de escapar ao policiamento que reprimem a vendas nos passeios e muitas vezes acabam por ver os seus bens apreendidos.

Algumas vendedoras sustentam que arriscam os seus negócios por falta de espaço.

 “Nós não temos um lugar para vender, onde estávamos alugadas para vender, polícias não aceitam porque temos que vender em Bôbo Fôrro”, conta, Hadersam do Espírito Santo, sublinhando que “o mercado de fardo em Bôbo Fôrro construído para as vendedoras de fardo já encontra ocupados pelas outras vendedoras”.

No entanto, a presidente da associação das mulheres vendedoras de fardo, Ludmila Costa, explica o motivo da repressão policial, salientando que “os polícias comportam bem”, mas “as mulheres de fardo” são “teimosas”, por não respeitarem a ordem de não venderem no passeio.

Edsan Cuto, faz as sua vendas do centro da capital num espaço arrendado.  Segundo ela, desde que começou a vender “nunca houve razão de queixa” mas com a pandemia em que foi suspenso vendas na rua, viu o seu negócio a baixo.

Ao largo do rio Agua Grande, aos finais de semana, a feira de fardo a céu aberto tornou-se, um ponto de encontro para as diferentes feirantes e compradores.

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