A professora, ativista social, atriz e dramaturga Mardginia Pinto defendeu, na primeira edição do Podcast “Mulheres na Liderança” da RSTP, que as mulheres precisam perder o medo e ir à luta para conquistarem espaços nas lideranças, sublinhando que é urgente formar líderes capazes de promover o desenvolvimento do país.
“Na maioria das associações e não só, temos mais homens como líderes, não é que as mulheres não sejam capazes. O que acontece é que nós, muitas das vezes, temos medo. Podemos até, se calhar, trabalhar melhor, mas temos medo de dar a cara”, disse.
Inspirada pela figura de Alda do Espírito Santo, apelidada carinhosamente de “mamã Alda”, Mardginia Pinto é professora desde os 18 anos e uma das vozes femininas mais influentes de São Tomé e Príncipe, na atualidade.
Em entrevista, a atriz recordou os valores transmitidos pela poetisa e lamentou a falta de referências semelhantes na atualidade.
“Infelizmente aqui não temos líderes inspiradores”, citou.
Desde muito jovem, Mardginia entrega-se ao ensino e à preservação da identidade nacional, integrando o grupo Caravana Africana.
Mardginia destacou que o trabalho cultural é, acima de tudo, um ato de entrega à comunidade.
“A cultura aqui não ganhamos dinheiro, fazemos por amor. E quando não temos um público para nos assistir ficamos um pouco tristes”, sublinhou, salientando que a falta de apoio da comunidade continua a travar o crescimento das iniciativas culturais.
Mardginia, que é a primeira mulher são-tomense mestre em Teatro, abordou sobre diversos assuntos relacionados com a cultura, o papel da mulher na sociedade e os desafios enfrentados ao longo dos anos no contexto da participação em eventos culturais. Apesar das dificuldades, reconheceu que houve avanços.
“Hoje em dia há mais participação das mulheres, pois antigamente as mulheres eram proibidas de participarem”, citou.
A artista sublinhou ainda que a cultura ultrapassa os limites impostos socialmente e que a mesma tem um papel crucial na formação humana.
“A cultura é arte, literatura, é arte. Temos que também, a partir das escolas, disciplinar os alunos. Temos o nosso lema: unidade, disciplina e trabalho; a cultura vai ajudar neste sentido. Podemos, através da cultura, trabalhar na transformação social”, citou. Para ela, o país precisa de um processo profundo de reeducação, capaz de devolver à cultura o seu verdadeiro lugar. “É preciso reeducar o povo”, defendeu.
Mardginia defendeu também que a mudança exige união e responsabilidade coletiva e reforçou que “é preciso reeducar o povo”.
