O Governo são-tomense comprometeu-se a “integrar o Tchiloli nos currículos educativos e na agenda cultural nacional”, segundo a ministra da Educação, Cultura e Ciência, Isabel Abreu, no seu discurso da cerimónia de declaração desta manifestação cultural como Património Imaterial da Humanidade, realizada na Índia, na semana passada.
Segundo a ministra, “o Estado santomense assume de forma renovada a responsabilidade de proteger, valorizar e promover o Tchiloli, garantindo que esta expressão cultural continue viva e relevante nas vidas das gerações futuras”.
Durante a cerimónia, que decorreu de 8 a 13 de dezembro, em Nova Deli, Índia, Isabel Abreu declarou quatro compromisso:
1. Reforçar programas de salvaguarda e documentação do património cultural imaterial;
2. Criar condições para a formação de jovens intérpretes, artistas e artesãos ligados ao Tchiloli;
3. Estabelecer parcerias internacionais para circulação, formação e visibilidade desta arte;
4. Integrar o Tchiloli nos currículos educativos e na agenda cultural nacional;
5. Promover o turismo cultural sustentável, de forma respeitosa e alinhada com os princípios da UNESCO.
Leia na íntegra: o DISCURSO DA MINISTRA DA CULTURA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
Excelentíssimos Senhores,
Distintos Representantes da UNESCO,
Caros convidados,
Querido povo santomense,
É com enorme honra, profundo orgulho nacional e grande emoção que me dirijo a vós nesta ocasião histórica para São Tomé e Príncipe. Hoje celebramos não apenas uma manifestação artística, mas a alma viva do nosso povo. Celebramos o Tchiloli, esse tesouro cultural que atravessou séculos, resistiu a adversidades, reinventou-se com o tempo e permanece, ainda hoje, como um dos símbolos maiores da nossa identidade coletiva.
A inscrição do Tchiloli na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade é um reconhecimento que ultrapassa fronteiras. É o testemunho de que, num pequeno país do Golfo da Guiné, inteiramente Reserva da Biosfera, floresce uma das expressões mais ricas, complexas e singulares do teatro popular africano. O mundo, hoje, volta o seu olhar para São Tomé e Príncipe – não pela dimensão geográfica, mas pela grandeza cultural do seu povo.
Este reconhecimento da UNESCO confirma aquilo que os grupos de Tchiloli, os mestres, os tocadores, as costureiras, os atores e guardiões desta tradição sempre souberam: que o Tchiloli é uma obra-prima de criatividade, memória e resistência. É uma ponte entre o passado e o presente, entre a herança europeia reinterpretada e a profundidade do génio africano, transformado em arte, ritual, festa e comunidade.
Permitam-me expressar, em nome do Governo de São Tomé e Príncipe, a nossa profunda gratidão:
À UNESCO, através do Bureau Multissectorial para África Central pelo excelente trabalho que tem desenvolvido em São Tomé e Príncipe, ajudando-nos salvaguarda e proteção do nosso património cultural;
Ao Comité intergovernamental da Convenção 2003 por reconhecer o valor universal desta manifestação cultural;
Aos grupos, à Rede de Tchiloli que mantêm viva esta arte com dedicação, disciplina e amor, fazendo desta manifestação um património partilhado;
Às famílias, que, geração após geração, transmitem os figurinos, as máscaras e os segredos desta tradição;
E aos investigadores, técnicos e parceiros culturais que contribuíram para este processo de candidatura.
Este momento exige, contudo, não apenas celebração, mas também compromisso. A partir de hoje, o Estado santomense assume de forma renovada a responsabilidade de proteger, valorizar e promover o Tchiloli, garantindo que esta expressão cultural continue viva e relevante nas vidas das gerações futuras.
Comprometemo-nos a:
1. Reforçar programas de salvaguarda e documentação do património cultural imaterial;
2. Criar condições para a formação de jovens intérpretes, artistas e artesãos ligados ao Tchiloli;
3. Estabelecer parcerias internacionais para circulação, formação e visibilidade desta arte;
4. Integrar o Tchiloli nos currículos educativos e na agenda cultural nacional;
5. Promover o turismo cultural sustentável, de forma respeitosa e alinhada com os princípios da UNESCO.
Querido povo santomense,
Hoje o nosso país escreve uma página inesquecível da sua história cultural. O Tchiloli passa a pertencer ao mundo, mas continua – e continuará sempre – a ser profundamente nosso. Ele é a voz dos nossos antepassados, a criatividade das nossas comunidades e a esperança das nossas crianças.
Que esta distinção inspire cada santomense a reconhecer que a nossa maior riqueza é, e sempre será, a nossa cultura.
Viva o Tchiloli!
Viva o património cultural santomense!
Viva São Tomé e Príncipe!
Viva a UNESCO!
Muito obrigada.
