25 de novembro: “As pessoas devem ter ‘olho leve’ para verem o Patrice Trovoada no quartel” – Armindo Rodrigues

Armindo Rodrigues, que foi vice-CEMFA em 2022, e participou no Conselho de Defesa de hoje, enquanto comandante da Guarda Costeira, revelou que ele e o coronel José Maria Menezes, que era comandante do exército em 2022, e até então inspetor-geral, foram suspensos das funções.

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O ex-vice-chefe de Estado Maior das Forças Armadas, Armindo Rodrigues assegurou hoje que o ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada não esteve no quartel, nos acontecimentos de 25 de novembro de 2022 que resultaram na tortura e morte de quatro civis que estavam sob custódia dos militares.

“Numa situação de crise nenhum segurança permite a figura principal estar numa área de crise, nem o Presidente da República, nem o primeiro-ministro, nem o ministro da Defesa. Portanto, as pessoas devem ter ‘olho leve’, como se diz aqui no país, para verem o Patrice Trovoada no quartel”, explicou.

Armindo Rodrigues disse que depois que os envolvidos foram neutralizados, ele e o ex-antigo CEMFA participaram numa reunião com o ex-primeiro-ministro, e o ex-ministro da Defesa, e Patrice Trovoada “deu ordem específica ao antigo chefe de Estado-maior para que os homens fossem entregues à Polícia Judiciária”, mas o antigo CEMFA deu-lhe ordens para inquirir os militares que estavam envolvidos.

Questionado se quando regressou ao Quartel as pessoas já estavam mortas, Armindo Rodrigues disse que não.

“Não tenho nenhum conhecimento, não vi ninguém a bater ninguém, não vi ninguém a estrangular ninguém, não vi ninguém a matar ninguém para me pronunciar. Simplesmente estive no quartel a fazer um inquérito com as ordens do antigo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas”, precisou.

Armindo Rodrigues, que foi vice-CEMFA em 2022, e participou no Conselho de Defesa de hoje, enquanto comandante da Guarda Costeira, revelou que ele e o coronel José Maria Menezes, que era comandante do exército em 2022, e até então inspetor-geral, foram suspensos das funções.

Em março de 2023, o Ministério Público são-tomense acusou 23 militares, incluindo o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Olinto Paquete e o então vice-chefe do Estado-Maior, Armindo Rodrigues, que é atualmente Comandante da Guarda Costeira, pela tortura e morte de quatro homens no assalto ao quartel das Forças Armadas em 25 de novembro de 2022.

Segundo o despacho de instrução preparatória do Ministério Público (MP), a que a Lusa teve acesso, Olinto Paquete – que pediu demissão do cargo de chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dois dias depois do ataque, ocorrido em 25 de novembro de 2022 -, o então vice-chefe do Estado-Maior, Armindo Rodrigues, e o coronel José Maria Menezes são acusados, “em autoria material, por omissão, com dolo eventual” de 14 crimes de tortura e outros tratamentos cruéis, degradantes ou desumanos graves e de quatro crimes de homicídio qualificado.

O tribunal civil declarou-se incompetente e remeteu o processo para o tribunal militar, que tem reclamado meios para funcionar, e até ao momento não realizou o julgamento do processo.

Este ano, o processo desapareceu das instalações do Estado-Maior das Forças Armadas em 16 de outubro, e levou o Governo a propor a exoneração do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA), João Pedro Cravid.

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