Universidades são-tomenses com redução de estudantes pelo terceiro ano consecutivo

Apesar da existência de pelo menos três universidades e de dezenas de cursos disponíveis, as salas de aula estão cada vez mais vazias. Entre os principais motivos, estão a emigração, a falta de meios financeiros e a falta de motivação dos jovens para continuar os estudos.

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Rádio Somos Todos Primos

O número de estudantes inscritos nas universidades são-tomenses caiu pelo terceiro ano consecutivo, baixando mais de 40% na universidade pública, apesar de apoios e reformas que têm sido adotadas pelo Governo e universidades, segundo fontes oficiais em declarações à RSTP.

“Neste momento, nós temos por volta de 1.500 [estudantes]. O valor do ano passado foi exatamente isto, e nós estamos a prever que o número não vai aumentar. Tivemos uma queda nos últimos três anos de 42%, ou seja, quase metade, então para nós essa redução foi considerável mesmo”, disse à RSTP a pró-reitora da Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), Wanda Costa.

Segundo Wanda Costa, o “número de alunos que procuram a universidade está a reduzir da forma considerável”, e por isso as universidades suspenderam os testes de admissão desde 2023.

Wanda Costa – Pró-reitora da USTP

O reitor do Instituto Universitário de Contabilidade, Administração e Informática (IUCAI), uma das duas instituições de ensino superior privadas do país, Agostinho Rita, também admitiu a redução de alunos inscritos nesta instituição.

“Este ano letivo, o IUCAI vai graduar cerca de 150 estudantes, mas até agora temos apenas cerca de 100 inscritos e matriculados. [ou seja], as saídas continuam a ser superiores às entradas”, explicou Agostinho Rita.

Além da redução da matrícula, as universidades lamentam o nível de abandono escolar, que acontece mesmo entre alunos no final do curso, e muitas vezes optam pela emigração e cursos profissionais no estrangeiro, sobretudo em Portugal.

“A taxa de desistência é bastante alta […] mesmo alunos no terceiro ano, acabam por desistir e ir para Portugal”, precisou Agostinho Rita.

Agostinho Rita – Reitor do IUCAI

Os próprios estudantes também lamentam o vazio nas salas de aulas.

“Muitos estão a emigrar em busca de melhores condições de vida. É o meu primeiro ano aqui na universidade e está muito frio, está literalmente vazio. Alunos no terceiro ano se virem uma vaga para viajar, eles vão, porque aqui não há muita credibilidade em construir uma vida”, afirmou Leonaldo dos Santos, estudante do primeiro ano de Licenciatura em Matemática, na USTP.

O diretor do Ensino Superior, Ilvécio Ramos, admite que a falta de alguns cursos em São Tomé e Príncipe, nomeadamente de medicina e alguns na área de engenharia, pode ser também uma das causas da diminuição de matrículas nas universidades nacionais, uma vez que muitos alunos se inscrevem para bolsas externas nestas áreas.

Por outro lado, Ilvécio Ramos assegurou que “quase 50% dos estudantes têm bolsas”, embora essencialmente para o pagamento das propinas, mas o Governo quer alargar e incluir outras despesas, nomeadamente para transportes, alimentação e, possivelmente, alojamento, a partir do próximo ano letivo.

Ilvécio Ramos sublinhou que “há sensibilidade” da Agência Nacional de Petróleo que assegura as bolsas através de contrapartidas das empresas petrolíferas em São Tomé e Príncipe.

As universidades também sublinharam que têm feito alguns investimentos para melhorar o ensino no país, sobretudo para equipar laboratórios e salas de informática, mas lamentam que esse esforço não seja valorizado pelos estudantes.

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