O ativista social e líder da ONG Associação de Jovens Unidos ao Trabalho (AJURT), Adley Bandeira, defendeu, durante o podcast “Voz do Amanhã” da RSTP, a necessidade de melhoria da comunicação na sensibilização da população como forma de reduzir os votos nulos nos processos eleitorais em São Tomé e Príncipe, considerando as particularidades culturais e linguísticas de cada comunidade do país.
Professor de francês e treinador internacional de basquetebol, Bandeira salientou que é necessário apostar mais na comunicação em línguas nacionais, numa maior proximidade com as comunidades.
“Uma das causas que tem levado a um número elevado de votos nulos nas eleições é o descontentamento e a falta de informação. Temos um país belíssimo, mas a informação e a sensibilização da população sobre a questão do voto não são feitas de forma aberta e versátil”, afirmou.
“O nosso país é multicultural e, quando falha a comunicação nessas línguas, algumas pessoas têm dificuldade em compreender em quem votar”, explicou.
Segundo o ativista, os eleitores podem ser educados de várias formas, defendendo uma comunicação mais prática e próxima das comunidades.
O jovem destacou ainda a relevância dos partidos políticos na redução dos votos nulos, através de uma melhor comunicação durante as campanhas eleitorais e da eliminação do fenómeno conhecido como “banho” (prática que se traduz na entrega de dinheiro aos eleitores para os incentivar a votarem).
“É preciso falar com a população, incluir e apoiar a juventude na questão do voto, para que essa situação seja ultrapassada com trabalho”, acrescentou.
Adley Bandeira referiu também que uma das consequências do voto nulo pode ser o enfraquecimento da legitimidade democrática, além de representar uma demonstração da insatisfação da população.
Ao longo da entrevista, o ativista destacou igualmente a importância dos observadores internacionais, da formação e capacitação dos intervenientes no processo eleitoral e do papel dos media durante a campanha e no período eleitoral, de modo a garantir a transparência e a legitimidade das eleições.
