MDFM critica crise de energia e água e aponta corrupção como entraves ao desenvolvimento em STP

Apesar das duras críticas, o MDFM apelou ao atual Governo para uma melhor gestão da coisa pública, defendendo uma liderança baseada no patriotismo, na responsabilidade e no combate à corrupção.

País -
Rádio Somos Todos Primos

O presidente do Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Moisés Viegas, criticou hoje, a crise de energia e água em São Tomé e Príncipe, destacando a corrupção e a alegada existência de uma “organização mafiosa” como os principais entraves ao desenvolvimento do país.

À semelhança das direções de outros partidos políticos que procederam ao balanço do ano de 2025, o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) destacou, durante uma conferência de imprensa, a má gestão do atual Governo em várias áreas, com especial atenção no setor energético.

Segundo o líder do MDFM, Moisés Viegas, 2025 foi um ano marcado por grandes expectativas que rapidamente “foram fracassadas”. Viegas recordou que foi no ano passado que se registou a queda do Governo liderado pelo Patrice Trovoada, na sequência de alegações de má gestão da coisa pública.

“O ano de 2025 foi um ano de muitas expectativas. Infelizmente, essas expectativas duraram muito pouco. Foi exatamente no ano passado que assistimos à queda do governo, sob alegações de má gestão da coisa pública. Falou-se também muito de um contrato ligado ao setor da eletricidade, um contrato que prejudicava gravemente o povo de São Tomé e Príncipe. Contudo, o partido ADI manteve-se no poder e, ainda assim, todas as expectativas do povo foram fracassadas. O atual Governo assumiu funções criando grandes expectativas junto da população, mas não demorou para que o desânimo se instalasse”, explicou.

Moisés Viegas referiu ainda o rompimento do contrato entre o Governo e a empresa turca TESLA, sublinhando a incapacidade do executivo em resolver problemas básicos do país. O líder do MDFM questionou se a situação resulta de “incapacidade governativa, má-fé ou de suspeitas de corrupção”.

“Continuamos a enfrentar sérios problemas de energia, com consequências drásticas para a vida do povo são-tomense, para os pequenos comerciantes, para os estudantes e para a economia nacional. Trata-se de incapacidade deste Governo? De má-fé? Ou de suspeitas de corrupção? Foi neste ano que um membro do Governo veio a público pedir desculpa ao povo pela incapacidade de resolver o problema da energia elétrica. No entanto, o problema persiste e, enquanto isso, a pobreza entra em casa de cada são-tomense”, afirmou.

A crise hídrica foi igualmente destacada pelo MDFM como um dos principais fatores de atraso ao desenvolvimento do país. Moisés Viegas considerou ainda que os problemas estruturais de São Tomé e Príncipe assentam na existência de corrupção e uma alegada “organização mafiosa”.

“Como falar de desenvolvimento sem energia e sem água? Como falar de crescimento económico sem energia estável e sem água, que é essencial também para a higiene? Como ter um sistema de saúde funcional se os hospitais funcionam às escuras e sem água nas torneiras?”, questionou.

O líder do MDFM acrescentou que “o grande problema de São Tomé e Príncipe não é apenas um homem, mas sim um sistema corrupto, uma organização mafiosa. Substituem-se os rostos, mas os resultados são sempre os mesmos”.

Apesar das duras críticas, o MDFM apelou ao atual Governo para uma melhor gestão da coisa pública, defendendo uma liderança baseada no patriotismo, na responsabilidade e no combate à corrupção. O partido deixou ainda um alerta à população para que “abram os olhos”, sobretudo agora, que se aproximam as eleições.

“É obrigação do Estado exigir qualidade nas obras públicas, fiscalizar, dizer não à corrupção e ao nepotismo, e garantir que o dinheiro público é bem aplicado. O povo de São Tomé e Príncipe já não consegue esperar. Este é um ano eleitoral e, em breve, muitos partidos virão prometer resolver todos os problemas energia, água, pobreza e economia. Mas é hora de o povo abrir os olhos”, advertiu.

“É hora de agir. É hora de dizer não à corrupção e à falta de transparência. Enquanto o povo vive na miséria, muitos governantes vivem à grande e à francesa com dinheiro público, sem que nada lhes aconteça”, concluiu.

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